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Empresa de Santa Catarina implanta sistema de osmose reversa

Por Ângela Schreiber para o canal Ambiental Mercantil Notícias

Os operadores da Cetric Sul foram treinados pela LTM Brasil.

A gestão de resíduos industriais e comerciais da Cetric Sul, empresa do Grupo Cetric, conta agora com a tecnologia de osmose reversa. Os colaboradores responsáveis pela operação do sistema foram treinados por Marcelo Viegas, supervisor comercial e operacional da LTM Brasil.

            O treinamento básico aconteceu no mês passado na matriz em Chapecó (SC). Foram 25 horas de aula teórica e 40 horas de aula prática para ensinar a operação da nova unidade de tratamento por osmose reversa.

Foto: LTM Brasil ministrando treinamento na Cetric – junho/2020.

            “Apesar do sistema ser todo automatizado, ele requer um treinamento básico para operá-lo. Após a unidade ser montada e posta em marcha, preparamos o treinamento com foco nos operadores”, explicou Marcelo, complementando que existiam muitas dúvidas sobre os princípios do processo de osmose reversa.

            Ainda de acordo com o coordenador, tudo tem que estar em conformidade com a Resolução N°430/11 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), em que a prioridade de lançamento de efluentes é o nitrogênio amoniacal até 20mg/L.

            O Art. 16 da Resolução N°430/11 diz que “Os efluentes de qualquer fonte poluidora somente poderão ser lançados diretamente no corpo receptor desde que obedeçam às condições e padrões previstos neste artigo, resguardadas outras exigências cabíveis”. A Tabela I do inciso II mostra que o valor máximo de nitrogênio amoniacal total é de 20,0mg/L N.

Marcelo explicou o que é a tecnologia implantada na Cetric Sul.

“A osmose reversa é um caso específico de separação de substâncias contidas em um líquido, por meio da utilização de membranas. É um processo físico. Ao aplicar uma pressão superior à pressão osmótica no líquido mais concentrado, as moléculas de água são forçadas a atravessar a membrana no sentido inverso ao da osmose natural. Esse processo é chamado de osmose reversa”.

Foto: líquido tratado por Osmose Reversa – Treinamento LTM / Cetric.

Segundo o site www.infoescola.com, as principais aplicações da osmose reversa acontecem na dessalinização, geração de energia e biotecnologia, fabricação de alguns tipos de bebidas, agropecuária e na saúde (principalmente hemodiálise).

            No município de Ariquemes (RO), os pacientes com Covid-19 que apresentam problemas renais já respiram aliviados, graças a um aparelho de osmose reversa entregue à prefeitura no dia 18 de junho. O equipamento, que será usado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Centro de Afecções Respiratórias (CAR), terá o aluguel custeado pelo Lions Clube Canaã.

O diretor do CAR, Mauro Lopes Filho, explicou que os pacientes com necessidade de diálise não precisam mais de transferência para a capital. As informações estão no portal www.rondoniadinamica.com.

            Como coordenador técnico e comercial da LTM, Marcelo sente muito orgulho em ver a aplicação da osmose reversa em áreas tão diversas. Segundo ele, a pandemia de coronavírus aumentou a demanda de conversações que levem à aquisição de unidades.

            “Ela [osmose reversa] tem a característica de barrar até vírus e bactérias. O novo marco do saneamento básico no Brasil e mais esta pandemia fizeram as empresas e indústrias ver o efluente com outros olhos”.  

Foto: sistema de Osmose Reversa implantado na Cetric.

O novo marco legal do saneamento básico a que se refere Marcelo foi aprovado pelo Senado no dia 24 de junho, após quase dois anos de discussão no Congresso. Baseado na Medida Provisória (MP) 868/2018, o Projeto de Lei (PL) 4.162/2019 foi aprovado em sessão remota por 65 votos a 13 e sem nenhuma abstenção.

            Segundo a Agência Senado, o marco determina que, até 2033, 90% da população brasileira tenha acesso ao tratamento e à coleta de esgoto e 99% tenha acesso à água potável.

            “A atual crise sanitária, causada pela pandemia da Covid-19 torna ainda mais urgentes as mudanças propostas, na medida em que evidenciou, com muita clareza, a vulnerabilidade das pessoas que não dispõem de acesso à água potável, esgotamento sanitário e coleta de resíduos sólidos. Enquanto órgãos de saúde pública de referência no plano internacional e no Brasil recomendam que se lavem as mãos com frequência, para evitar a contaminação com o coronavírus, temos 35 milhões de brasileiros sem acesso à água tratada”, disse o relator do projeto, Senador Tasso Jereissati (PSDB-CE).

            A Agência Nacional de Águas (ANA) será a responsável pelas normas de referência para a regulação dos serviços públicos de saneamento básico. O canal de notícias ambientais Ambiental Mercantil traz a lista completa das atribuições da ANA.

            Em nota, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) disse:

“O novo marco legal do saneamento básico modernizará o setor de maior atraso da infraestrutura nacional e permitirá o aumento dos investimentos nas redes de coleta e tratamento de esgoto e de abastecimento de água. Essa é uma condição imprescindível para que o Brasil caminhe na direção de universalizar os serviços de saneamento”.

            O projeto, que prevê maior participação da iniciativa privada, segue agora para sanção do presidente Jair Bolsonaro.

Consciência ambiental

Assim como a LTM, a Cetric tem a intenção de tratar melhor os resíduos líquidos. Segundo o engenheiro químico Diego Molinet, o treinamento da LTM representa um marco para a matriz e a unidade de tratamento de efluentes.

            “É o pontapé inicial para um sistema de tratamento de efluentes industriais, referência para a região em que se encontra a empresa e as demais regiões do país que a empresa atende, por se tratar do que há de mais moderno e eficaz no tratamento de resíduos líquidos”, disse ele.

            A Região Oeste de Santa Catarina, onde está localizada a matriz da Cetric, é um dos principais polos econômicos do estado e abriga indústrias de segmentos variados. O Grupo Cetric tem representantes em toda a Região Sul do país e nos estados de Goiás, Minas Gerais e São Paulo.

            Segundo Diego, a implantação da osmose reversa segue a política da Cetric, que procura utilizar o melhor e mais eficaz método de tratamento e destinação de resíduos.

            “Outro fato que fez a empresa optar pelo sistema é o objetivo de usar o efluente tratado em todos os outros processos que executa, demonstrando ainda mais nosso zelo para com o meio ambiente e a busca pela sustentabilidade”.

Foto: lagoa de de água purificada (permeado), instalação da Cetric.

Promover internamente a conscientização ambiental, atender a legislação vigente e prevenir a poluição, garantindo o tratamento e a disposição final dos resíduos são alguns dos princípios da política ambiental da Cetric.  

Seguindo a linha sustentável o Grupo Cetric desenvolveu, em conjunto com uma empresa de software, o Cetrimob. O aplicativo reduz o consumo de papel, agiliza os procedimentos e registra os dados do gerador, do transportador e do próprio resíduo, durante o processo de coleta.

“O app gera uma rastreabilidade do processo de destinação de cada resíduo”.

O Cetrimob assumiu um papel fundamental durante a pandemia.

“Por ser totalmente digital facilitou muito os cuidados, pois o contato entre gerador, transportador e destinador são mínimos para a troca de informações, e o equipamento é de fácil higienização”.

A tecnologia tem sido cada vez mais usada neste período. De acordo com matéria da Revista Globo Rural, o uso de aplicativos que conectam caminhoneiros e embarcadores cresceu durante a pandemia. Em Palhoça, na Grande Florianópolis, o aplicativo Smart Business está ajudando um novo modelo de coworking a funcionar. As informações estão no portal de notícias G1.

Existe ainda o medo de contaminação. Alguns estabelecimentos dos setores de alimentação e vestuário deixaram de aceitar dinheiro como forma de pagamento. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as notas passam por diversas mãos e podem disseminar o coronavírus. As informações estão no portal www.economia.ig.com.br.

Ação social

            A preocupação da Cetric vai além da sustentabilidade. Desde 2016 a matriz da empresa apoia o Projeto Empresa Solidária do Hemosc (Centro de Hematologia e Hemoterapia de Santa Catarina), incentivando a doação de sangue. Segundo Diego, o ritmo continuou o mesmo durante a pandemia, observando sempre o período entre uma doação e outra.

            “A empresa se mantém focada em contribuir, incentivando e disponibilizando transporte periodicamente para seus colaboradores doarem sangue”.

            Criado com o objetivo de sensibilizar o segmento empresarial sobre a importância da doação de sangue, o Projeto Empresa Solidária quer multiplicar a ideia e envolver a comunidade. Para comemorar o Dia Mundial do Doador de Sangue (14 de junho), as unidades de coleta do Hemosc receberam uma decoração especial entre os dias 15 e 22 de junho e deram um mimo aos doadores como forma de agradecimento.

Atualmente as doações de sangue são agendadas somente por telefone para evitar aglomerações. Os doadores devem ir preferencialmente sem acompanhantes e o uso de máscara é obrigatório. Todas as unidades do Hemosc contam com dispensadores de álcool 70 para higienizar as mãos. As informações estão no site www.hemosc.org.br.  

            O trabalho pelo meio ambiente conta ainda com uma parceria entre o Grupo Cetric e a Terras Alpha Uberlândia. Todos os resíduos da construção civil gerados pela empresa mineira serão reciclados pela Cetric Sudeste. É mais um marco, de acordo com Diego.

            “Ambas empresas mostram aos clientes a preocupação para com o meio ambiente, através de ações contínuas que buscam novas formas de destinação e reaproveitamento de materiais”.

            Cerâmicas, pedras, argamassa, concreto e restos de tijolos são alguns dos resíduos que a Cetric vai transformar em areia reciclada e devolver à Terras Alpha para reutilização em obras.

            Conforme matéria publicada pelo canal de notícias Ambiental Mercantil no dia 9 de junho, há um excelente trabalho sendo feito para o correto descarte e a reciclagem de resíduos da construção civil (RCC), mas existe também a falta de conscientização. O trabalho intenso com a comunidade e a construção de pontos de descarte não impedem que Betim, na Grande Belo Horizonte, continue enfrentando o descarte irregular de entulhos. As informações foram publicadas pelo portal G1.

            Na opinião de Diego, a grande maioria das empresas hoje enxerga os resíduos como uma fonte de renda e de corte de custos.

“Logo segregam muito bem seus resíduos, chegando até a empresa para destinação apenas materiais que não puderam ser aproveitados em outros processos”.

            Ainda de acordo com o engenheiro químico, a Cetric apenas atua como facilitadora, no que diz respeito à logística reversa.

            “Ou seja, auxilia seus clientes a transportar ou pré-processar seus resíduos recicláveis segregados, fazendo prensagem e trituração, entre outros processos, e posteriormente o transporte até recicladoras dos próprios clientes ou recicladoras terceirizadas, contratadas diretamente pelo gerador”.

SOBRE A LTM BRASIL

A LTM Brasil atua no mercado de tratamento de chorume, utilizando as melhores tecnologias para descontaminação deste efluente. A empresa vem consolidando a sua marca pelo uso da tecnologia de osmose reversa e gerencia plantas com aproveitamentos dos recursos, tratando passivos ambientais para qualquer tipo de resíduo. Suas cinco unidades operacionais tratam mais de 300 mil toneladas de resíduos por ano.
Site: www.ltmbrasil.com.br


SOBRE A CETRIC

As empresas do Grupo Cetric atuam na gestão de resíduos, utilizando o tratamento adequado. Um de seus grandes diferenciais é a frota e os equipamentos próprios. O sistema de geração de energia é a partir do biogás. Além do projeto Empresa Solidária, o grupo mantém a Escolinha de Futebol da Cetric, patrocina o app Moeda Verde e revitalizou, com outros parceiros, a biblioteca da Escola Básica Municipal Água Amarela.
Site: www.cetric.com.br

SOBRE OS ENTREVISTADOS

Marcelo Viegas trabalha na área de tratamento de efluentes desde o início dos anos 2000. Atualmente cursando engenharia ambiental. Ocupa o cargo de supervisor comercial e operacional da LTM Brasil há pouco mais de 7 anos.

Diego Molinet é graduado em Engenharia Química pela Universidade Comunitária da Região de Chapecó (Unochapecó). Começou a trabalhar na Cetric em 2010, como estagiário do departamento técnico. Atualmente trabalha como engenheiro químico.

Crédito:
Entrevista feita com exclusividade para o canal
Notícias Ambiental Mercantil, por Ângela Schreiber.