Investigações Técnicas Ambientais: complexidades e desafios

Investigações Técnicas Ambientais: complexidades e desafios

Imagem: Divulgação | Por José Maria Bernardelli Junior para Ambiental Mercantil, Opinião de Especialista

Nos últimos 6 anos tenho atuado como professor convidado para os cursos de pós-graduação de uma grande universidade em São Paulo (Capital), lecionando várias disciplinas em diversos cursos na área “das engenharias”, com um carinho especial por algumas disciplinas, dentre elas, a de Perícia Ambiental e Áreas Contaminadas.

Possivelmente esse meu apego se deve ao fato de ser uma daquelas disciplinas que mais tem a ver com a prática de campo, revolvendo aquele desejo sempre vivo de estudar as ocorrências ou fenômenos e “fazer as coisas acontecerem”.

Como sabemos, a perícia é apenas um dos vários tipos de investigação que realizamos em campo, merecendo destaque ainda os estudos ambientais (como os do EIA/RIMA) e as auditorias (como as obrigatórias e as voluntárias), que nivelam os profissionais expertos em responsabilidade, a partir de suas manifestações em laudos, relatórios, estudos e pareceres.

Em sala de aula, tenho repetido insistentemente, principalmente àqueles que estão chegando agora ao mercado, que é preciso conter o afã de pegar os apetrechos e ir para a área realizar a análise. É preciso compreender que a investigação ambiental compreende 2 fases, a saber: Etapa de gabinete e etapa de campo. Digo sem medo de errar, que para que a gente falhe menos, a etapa de gabinete vai tomar aproximadamente 85 a 90% do tempo do trabalho e a etapa de campo 25%, se tanto.

A primeira questão que se apresenta no âmbito das investigações ambientais, é a delimitação do escopo, o entendimento preciso do problema ou a interpretação adequada do que precisa ser respondido. No caso da perícia judicial, precisamos estudar detidamente o processo com atenção aos detalhes compreendendo o fato, os quesitos e nos preservando de qualquer envolvimento emocional. Os detalhes também são de suma importância nos estudos e auditorias, onde a intepretação consistente dos contextos exige o exercício do olhar sistêmico em contraposição à visão reducionista emprestada pelo paradigma newtoniano-cartesiano, que permeia a civilização ocidental.

Podemos afirmar que o “trabalho de gabinete” apresenta 2 fases distintas: antes e após a investigação de campo. No primeiro momento nos cabe estudar o caso, realizar o levantamento de documentação, mapas etc., registrar as análises iniciais e mesmo formular hipóteses. No segundo momento, devemos dispor todas as informações encontradas, presentes nos mais diversos tipos de registros (fotos, áudios, impressos, etc.), de maneira organizada, para que nos permita um entendimento completo, subsidiando a elaboração do documento a ser produzido, seja um laudo, um parecer, um relatório ou estudo científico.

Quando estamos em campo, temos que efetivamente compreender os fenômenos que ocorreram, estão em curso ou virão a ocorrer. Respaldados pelas análises previamente realizadas e hipóteses formuladas (na fase de gabinete), estabelecemos o perímetro de trabalho, realizamos a vistoria prática (ou investigação de campo), coletamos registros (fotos, áudios, coordenadas geográficas etc.) e amostras (água, solo), tomamos medidas de proteção da cadeia de custódia (se for o caso), acionamos as autoridades na eventual continuidade da prática criminosa dentre outras ações cabíveis, conforme a situação nos exija.

Cabe pontuar que não raro precisamos nos valer do concurso de profissionais especializados, significando um trabalho em equipe, onde cada um deve ter suas responsabilidades adequadamente definidas.

São muitas as leituras realizáveis em campo: alterações significativas em determinadas populações (de insetos, por exemplo), observação de bioindicadores, supressão de vegetação e efeito de borda e mais uma infinidade de indicadores com amplo respaldo científico, podem ser analisados e aproveitados para fundamentar o documento a ser produzido.

A produção do pertinente documento é um capítulo à parte. Às vezes profissionais excelentes que realizaram ótimas análises e reuniram um amplo material, derrapam no momento de escrever. Quando elaboramos o documento, devemos trazer o nosso entendimento com clareza, segurança e consistência para o leitor. Para escrever é necessário o domínio do idioma, o domínio da matéria, a plena compreensão do fenômeno estudado e, a depender do documento a ser elaborado, domínio da metodologia científica.

Objetivando discutir os mais variados aspectos das investigações ambientais, criei o curso Investigações Ambientais: Análises, Perícias e Auditorias – Teoria e prática. No curso, oferecemos uma atenção especial ao capítulo da redação do documento que encerra a investigação ambiental (laudo, parecer, relatório ou estudo) Além de tratarmos de forma mais aprofundada os vários elementos aqui mencionados,  como também um assunto que ainda rende muita polêmica e discussão: a Valoração ambiental.

Sobre o Autor

José Maria Bernardelli Junior

É consultor técnico, palestrante e professor universitário. Atua em gestão ambiental, em gestão por processos e operações turísticas (Hotelaria, aviação, eventos e tours). É Mestre em Administração – Gestão Ambiental e sustentabilidade (Uninove), com formação em Gestão Ambiental (FMU), MBA em Gestão Estratégica em Meio Ambiente (Mauá), e também, designer de sustentabilidade urbana (Gaia Foundation/UMAPAZ). É Professor convidado nos programas de pós-graduação da Universidade Nove de Julho – UNINOVE (Cursos: Engenharia Ambiental, Engenharia de Avaliações e Perícias e Engenharia de Segurança do Trabalho). Linkedin

SERVIÇO

Este curso também pode ser contratado na modalidade InCompany – adaptado para grupos fechados de funcionários de empresas e instituições, que desejam aperfeiçoar e atualizar seus profissionais e colaboradores.

Crédito:
Opinião de Especialista | Ambiental Mercantil

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