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Governo Federal inaugura uma das maiores Plantas de Biogás no mundo para geração de energia elétrica sustentável

Imagem: Divulgação MME

Foi inaugurada na sexta-feira (16/10), com a presença do presidente Jair Bolsonaro e do Ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, uma das maiores plantas de Biogás de geração de energia elétrica no mundo.

A planta industrial é fruto de parceria entre as empresas Raízen e Geo Energética, que hoje, juntas, constituem a empresa Raízen Geo Biogás. A cerimônia ocorreu na usina Bonfim, na cidade de Guariba/SP, e contou com a presença de autoridades dos governos Federal, estadual e municipal, de parlamentares e representantes de entidades e empresas ligadas ao setor de biogás, gás natural e biocombustíveis.

Ao participar do evento, o Ministro Bento Albuquerque falou, com entusiasmo, sobre a capacidade de 138 mil Mwh/ano de geração de energia pela recém-inaugurada Planta de Biogás, e que permitirá abastecer um total de 62 mil domicílios ou aproximadamente 150 mil habitantes.

“Isso deve ser motivo de grande orgulho para todos que aqui estão. A partir dos instrumentos que já estabelecemos com a nossa Política Nacional de Biocombustíveis, o Renovabio, tenho a convicção que esta planta é a primeira de muitas outras que serão construídas em um futuro próximo”, afirmou o ministro.

“Avançar na descarbonização da matriz energética mundial é um dos principais desafios do nosso tempo. Desde da Conferência Rio-92 não houve redução significativa da participação dos combustíveis fósseis no fornecimento global de energia, atualmente, em cerca de 80%”, lembrou o Ministro.

“O Brasil é reconhecido por possuir uma das mais limpas matrizes energética e elétrica do mundo”, ressaltou. “Nosso potencial hídrico, eólico, solar e de bioenergia tem assegurado, historicamente, uma participação relevante e diversificada das fontes renováveis na oferta interna de energia do País”, acrescentou o ministro, lembrando que os derivados da cana-de-açúcar respondem, atualmente, por mais de 17% da matriz energética brasileira, podendo atingir 19%, em 2030. “Isso se traduz em segurança energética e, ao mesmo tempo, mitigação das mudanças climáticas”, destacou o ministro.

Falando sobre as vantagens e os impactos positivos do biogás e do biometano sobre o meio ambiente, especialmente para a qualidade do ar e para a saúde pública, Bento Albuquerque destacou a redução, em 96%, das emissões de gás carbônico com o uso do biometano a partir do biogás.

“A utilização do biogás e do biometano nas usinas também possibilitará o aumento da nota de eficiência energético-ambiental dessas unidades produtoras, levando à geração de mais créditos de descarbonização, o nosso CBIO”, afirmou.

O Ministro enalteceu estudos que mostram que o potencial de produção de biogás no Brasil, somente a partir da vinhaça e da torta de filtro, podem atingir, em 2030, até 45 milhões de m3/dia. Esse valor, segundo Bento Albuquerque, corresponde a mais de duas vezes o volume médio de gás natural importado da Bolívia em 2019, no patamar de 19 milhões m3/dia.

“Assim – afirmou -, não há exagero em afirmar que o biogás será uma revolução comparável ao advento, no início dos anos 2000, da produção simultânea de calor e eletricidade a partir do bagaço da cana”.

Em seu discurso, Bento Albuquerque fez uma retrospectiva do setor sucroenergético voltando à década de 70 com o Próalcool, passando pela inovação da utilização do bagaço para produção de energia elétrica, até chegar ao biogás nos dias atuais. Entusiasmado, afirmou, dirigindo-se ao presidente:

“Presidente Bolsonaro, o Brasil, o seu governo, dá sucessivos exemplos de como é possível integrar nossas plantas industriais e gerar energia limpa, a baixo custo e com oferta segura durante todo o ano. Tenho a felicidade de testemunhar, hoje, o início dessa nova etapa para o setor, que contribui com o País há décadas, na construção de uma matriz energética exemplar e na geração de milhares de empregos para os brasileiros”, acrescentou.

O Ministro concluiu sua fala parabenizando as empresas Raízen e Geo Energética, que constituem, hoje, a Raízen Geo Biogás “pela iniciativa, por acreditarem no Brasil e por optarem por produzir uma energia cada vez mais renovável e limpa”.

Planta de Biogás

A Planta de Biogás instalada na usina Bonfim, é umas das maiores do mundo a utilizar a tecnologia de conversão da torta de filtro e vinhaça, subprodutos da unidade de processamento de cana-de-açúcar, como matérias-primas para fabricação de biogás e geração de energia elétrica.

A planta já fornece energia para o sistema elétrico antes mesmo do início da vigência do contrato em janeiro de 2021, que terá duração pelos próximos 25 anos conforme leilão vencido pela Raízen em 2016.

O contrato prevê o fornecimento de 96 mil Mwh/ano da energia gerada. O volume excedente poderá ser negociado no mercado livre.

Segundo a Raízen, a Planta de Biogás terá geração de energia ao longo de todo o ano uma vez que a vinhaça será operada na safra, enquanto a torta de filtro terá operação durante o ano inteiro. A possibilidade de armazenamento da torta geraria estabilidade no processo biológico do biogás e sinergia para atuar com a vinhaça.

A usina Bonfim é a segunda maior operação da Raízen em moagem de cana (capacidade de 5 milhões de toneladas/ano), e já está certificada no âmbito do Renovabio.

Sobre o processo de produção na planta de biogás

Biodigestores convertem a matéria orgânica da torta (resíduos restantes da filtragem do caldo da cana composta de 70% de água, 18% de matéria orgânica e 12% de outros sólidos) e da vinhaça (água restante do processo de destilação composta por 95% de água, 3% de sais e 2% de carga orgânica) em metano e co2, o chamado biogás. Essa mistura passa por um processo de dessulfurização – para a purificação do gás – e então vai para motogeradores. É nesses geradores que o biogás é transformado em energia elétrica.

Uma vez purificado, o biogás apresenta as mesmas características que o gás natural (96,5% metano) sendo assim possível de ser utilizado, na forma de biometano, como substituto ao diesel como combustível de automóveis, tratores e caminhões, uma iniciativa alinhada às resoluções do Renovabio.

A certificação atual da usina Bonfim não leva em conta essa utilização do biometano como substituto do diesel. Ou seja, quando se der esse uso, a nota da unidade será muito beneficiada, gerando mais Cbios pelo biocombustível produzido com menor pegada de carbono.

Segundo dados preliminares da Renovacalc, o biometano reduz em 96% as emissões de CO2, sem contar a diminuição de emissão de material particulado, chegando a emitir 90% menos gases de efeito estufa em comparação com os combustíveis fósseis.

A produção de biogás nesta tecnologia é viável em plantas com capacidade de moagem a partir de 1 milhão de toneladas de cana de açúcar.

ASSISTA COMO FOI A CERIMÔNIA

Crédito:
Ministério de Minas e Energia