Imagem: Divulgação | Por Serginho Rocha, Opinião de Especialista AMBIENTAL MERCANTIL NOTÍCIAS
No início de 2022 O IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) lançou seu Sexto Relatório de Avaliação (AR6) sobre a mudança do clima. No documento há contribuições do Grupo de Trabalho 3 do painel do clima, que trata de mitigação (redução de emissões de gases de efeito estufa).
O relatório do IPCC está dividido geralmente em duas partes principais, a mitigação (redução de emissões de gases de efeito estufa) e medidas de adaptação as mudanças do clima.
A mitigação fomenta o combate aos impactos negativos climáticos de causa antrópica mundial. Lembrando que quanto menor for à redução das emissões, maior será o aumento de temperatura no planeta e conseqüentemente maior será o investimento em medidas de adaptação.
Na realidade há regiões que menos contribuem para esse aumento das emissões, porém há outras que contribuem mais, sendo assim temos um cenário desigual no impacto do aumento na temperatura global.
Um cenário preocupante onde o custo de medidas de adaptação pode ser mais elevado do que o custo de mitigação das emissões.
Quanto mais lentas forem as ações de mitigação das emissões, os custos serão mais elevados na implementação de medidas de adaptação. Elevados não só em recursos econômicos, mas também em impactos sociais negativos.
Vamos pensar que se houvesse sucesso no Acordo de Paris em mitigar 2º ou 1,5º grau, sinceramente seria difícil haver a possibilidade de medidas de adaptação geral.
Então a pergunta que fica seria, porque não estamos caminhando como deveríamos para reduzirmos os riscos atuais e futuro, pois os extremos climáticos já são muito mais freqüentes (secas, inundações, ressacas, quebra de safra, incêndios florestais etc).
Lembrando que esses extremos climáticos estão ocorrendo com o aumento de 1,1º a 1,2º graus.
Sendo assim, é essencial atingirmos os objetivos do Acordo de Paris e não deixarmos a temperatura passar de 1,5º graus. Caso contrário corre-se o risco de atingirmos os limites absolutos de medidas de adaptação.
Um exemplo claro nesse processo é que o nível do mar aumentará se ficarmos em 1,5º a 2º graus.
Há riscos também para a Amazônia e para o Nordeste, onde 2º a 2,7º graus transformará 50% do semi-árido em semi-deserto, e com 2º a 2,5º graus desaparecerão entre 50% a 70% da floresta amazônica. Também nas áreas rurais haverá variações climáticas com ocorrências de inundações ou secas extremas impactando negativamente na produção agrícola.
Enfim, os passivos ambientais atuais serão os passivos fiscais de amanhã, ou seja, havendo desabrigados ou cidadãos que perderam suas colheitas, essas emergências vão atingir diretamente o poder público que por sua vez estará com menor capacidade de arrecadação pois as atividades econômicas estarão afetadas.
Portanto as ações de mitigação e medidas de adaptação precisam de reestruturação econômica com ações permanentes no âmbito da emergência climática e precisamos repensar o modelo urbano dos municípios (Saneamento, infraestrutura e realocação social etc).
Vale ressaltar que os impactos sociais, econômicos e ambientais estão diretamente ligados as ações de gestão dos municípios. A continuidade dos impactos negativos atuais aumentará a exclusão ambiental que é um sintoma igual ao das desigualdades econômicas e sociais no processo de desenvolvimento.
Precisamos de investimentos tanto em mitigação quanto em medidas de adaptação com um ciclo econômico muito mais inclusivo socialmente fomentando uma melhor qualidade de vida.
Embora haja a percepção de algum movimento “verde” atualmente como ativos verdes, ESG (Environmental, Social and corporate Governance), relatórios de sustentabilidade nas empresas etc, essas ações não acompanham as acelerações crescentes das emissões globais dificultando que as metas e os objetivos sejam alcançados.
Para isso há a necessidade de ações coletivas entre as nações de forma mitigatória e permanente.
E as mitigações não podem ser pontuais apenas, por exemplo, não adianta descarbonizar transportes sem uma ação mitigatória na mobilidade urbana, principalmente em áreas mais vulneráveis socialmente. Isso requer ações de planejamento e investimentos e uma forma de se “repensar” as áreas urbanas.
Outra forma de ação mitigatória seria fomentar investimentos em educação que é à base da formação de uma sociedade consciente. Ou seja, a transformação em uma sociedade consciente mitigará perdas sociais, econômicas e ambientais.
Vale lembrar que essa transformação não ocorrerá de forma espontânea, porém haverá a necessidade de ações educativas que envolvem as escolas, as universidades, a imprensa em geral, as redes sociais etc. Também há a necessidade de ações de estado mais atuante, melhor e mais conectado com as demandas sociais.
Enfim, são ações mitigatórias e permanentes para que realmente tenhamos um mundo mais humano, mais justo, mais inclusivo e muito mais sustentável de acordo com a Agenda 2030 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Sobre o Autor
Serginho Rocha – Consultor de Desenvolvimento de Mercado Sustentável, Relacionamento com Empresas, Órgãos Ambientais, Instituições Públicas e Organizações Não-Governamentais (ONGs).
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