O segredo é desconfiar primeiro. Confiar só depois de verificar a veracidade de dados, embasamento técnico e pesquisas!
Questione sempre e exija Transparência: Não hesite em fazer perguntas e exigir informações claras e consistentes de indústrias, empresas e governos sobre suas campanhas, ações e práticas socioambientais. A transparência é um dever para garantir que as informações sejam precisas e confiáveis, permitindo uma avaliação independente e crítica.
DESCONFIE de campanhas de Governos e Políticos: Esteja alerta para as campanhas publicitárias de governos, políticos e suas comissões, que muitas vezes podem esconder interesses pessoais e estar sob a influência de lobistas. É essencial investigar se os discursos, ações e promessas realmente refletem um compromisso genuíno com a sustentabilidade e a preservação ambiental. Exija uma análise crítica: busque estudos, pesquisas e dados que ofereçam comparativos claros. Governos e políticos têm a obrigação de garantir transparência em suas iniciativas e políticas. Como cidadãos, temos o direito de conhecer os detalhes por trás dessas promessas. Ao adotar uma postura questionadora, podemos separar a retórica das ações efetivas e exigir responsabilidade de quem está no poder. Essa vigilância não apenas fortalece a democracia, mas também nos ajuda a promover o desenvolvimento sustentável e ético que sonhamos. |
DESCONFIE de Certificações: Desconfiar de certificações é fundamental, especialmente no contexto da sustentabilidade e do combate ao greenwashing. O mercado está inundado com uma variedade de selos e certificações ambientais, muitos dos quais carecem de padrões rigorosos ou supervisão adequada. Além disso, algumas organizações certificadoras podem ter relações financeiras com as empresas que certificam, comprometendo sua imparcialidade. Essa situação é preocupante, pois a falta de transparência em muitas certificações dificulta a avaliação de sua credibilidade. Outro ponto crítico é que algumas certificações podem basear-se em auditorias superficiais ou autoavaliações das empresas, sem uma verificação independente rigorosa. Em alguns casos, as empresas podem essencialmente “comprar” certificações, obtendo-as sem atender a padrões significativos. Além disso, muitas certificações não exigem reavaliações frequentes ou monitoramento contínuo após a certificação inicial, o que pode levar a uma falsa sensação de segurança em relação às práticas sustentáveis. A variação nos padrões para certificações similares entre diferentes organizações certificadoras também é uma preocupação. Para abordar essas questões, consumidores e investidores devem pesquisar a fundo as organizações certificadoras e seus processos. É importante buscar certificações reconhecidas internacionalmente que sejam submetidas a auditorias independentes e verificar se as empresas fornecem informações detalhadas sobre como obtiveram suas certificações. Além disso, é essencial estar ciente de que uma certificação não garante necessariamente práticas sustentáveis abrangentes. Certificações amplamente reconhecidas e respeitadas, como o Forest Stewardship Council (FSC) para produtos florestais, o Marine Stewardship Council (MSC) para frutos do mar sustentáveis, o Leadership in Energy and Environmental Design (LEED) para construções sustentáveis, The International Sustainability and Carbon Certification (ISCC), iniciativa independente de múltiplas partes interessadas e um sistema de certificação líder que apoia cadeias de suprimento sustentáveis, totalmente rastreáveis, livres de desmatamento e amigas do clima e o Fairtrade para comércio justo, devem ser examinadas criticamente e consideradas como parte de uma avaliação mais ampla das práticas de sustentabilidade de uma empresa. Dessa forma, podemos garantir que as alegações de sustentabilidade sejam verdadeiras e não meras estratégias de marketing. |
DESCONFIE de discursos positivos sobre Descarbonização e Baixo carbono: Simplesmente porque não existem milagres para reduzir as emissões de gases de efeito estufa tão rapidamente. Estamos no inicio de um processo que levará ainda muitos anos para se efetivar. Ao encontrar discursos e publicidades que apresentam promessas de descarbonização ou de baixo carbono, exija informações sobre o Inventário de Carbono e a Análise do Ciclo de Vida (ACV). Pergunte como essas promessas são fundamentadas e quais são os reais impactos ambientais em cada etapa do ciclo de vida, desde a extração de matérias-primas até o final do processo (de consumo ou descarte). Avalie se a organização está considerando todos os aspectos que influenciam suas emissões de carbono. O mercado de carbono é um dos que mais promovem greenwashing. Falta ainda transparência. Um dos principais riscos de greenwashing no mercado voluntário de carbono está relacionado à qualidade dos créditos. Muitas empresas compram créditos de baixa qualidade ou de projetos questionáveis para afirmar que estão compensando suas emissões. A falta de regulamentação no mercado voluntário de carbono tem permitido práticas questionáveis. Setores altamente poluentes, como petróleo e gás, transportes e aviação, agronegócio (soja e pecuária) usam compensações para alegar neutralidade de carbono, sem fazer mudanças significativas em suas operações. Na realidade, cobrem um santo para descobrir outro! Esforços estão sendo feitos para melhorar a integridade do mercado, como as recomendações conjuntas de sete países da UE para prevenir o greenwashing. No Brasil, Senadores e deputados negociam para aprovar a regulamentação do mercado de carbono (PL 182/2024) ainda em novembro, antes da 29ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 29). O mecanismo permitirá que empresas e países compensem geração de poluição por meio da compra de certificados atrelados a iniciativas de preservação ambiental, que serão executadas por outras entidades. Para evitar o greenwashing no mercado de carbono, é fundamental que as organizações adotem abordagens transparentes, invistam em projetos de alta qualidade e, mais importante, priorizem a redução de suas próprias emissões antes de recorrer à compensação. |
DESCONFIE de setores industriais que se “autoproclamam” Sustentáveis: Questione as afirmações de sustentabilidade feitas por diferentes setores industriais. Muitas vezes, as práticas reais não condizem com o discurso. Para entender a veracidade dessas alegações, é fundamental realizar uma análise crítica das informações disponíveis, considerando todo o ciclo de vida dos produtos e serviços. Comece investigando a origem das matérias-primas: de onde vêm os recursos? São obtidos de maneira ética e responsável? Examine as condições de trabalho ao longo da cadeia de suprimento e analise os impactos ambientais gerados em cada etapa do processo produtivo, desde a extração até o descarte. Além disso, pergunte-se se as empresas estão de fato investindo em melhorias de processos e tecnologias. Avalie se seus relatórios de sustentabilidade são claros, transparentes e acessíveis, permitindo uma transparência honesta de suas práticas. Adotar essa abordagem crítica não só ajuda a distinguir entre compromissos genuínos e estratégias de greenwashing, mas também fortalece a demanda por maior transparência e responsabilidade das empresas do setor industrial. Ao permanecer atento e questionador, você contribui para um mercado mais ético e responsável, impulsionando mudanças reais em prol do meio ambiente e das comunidades. |
Ao distorcer ou omitir informações sobre o impacto ambiental, o marketing greenwashing engana e mina a credibilidade na sustentabilidade. Essa prática prejudica seriamente organizações — tanto governamentais quanto privadas — que realmente se esforçam para aumentar a redução das emissões de gases de efeito estufa por meio de ações e práticas genuinamente sustentáveis.