App apresenta informações sobre mais de 270 espécies da Mata Atlântica

Árvore de madeira branca na Mata Atlântica cercada por um mar azul-esverdeado.

Imagem: Mata Atlântica, divulgação Embrapa

Pesquisadores da Embrapa Agrobiologia (RJ) e da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) desenvolveram um aplicativo com informações detalhadas de 276 espécies vegetais da Mata Atlântica. O objetivo é subsidiar técnicos e produtores rurais para conciliar o planejamento ambiental à atividade agrícola para que possam produzir, conservar ou mesmo restaurar o bioma.

O Restaura Mata Atlântica pode ser usado em ambientes on-line ou off-line, é gratuito e está disponível para baixar na loja de aplicativos Google Play.

O aplicativo permite identificar de forma rápida e dinâmica informações sobre as principais espécies florestais nativas do bioma, como por exemplo o nome científico, o nome popular e onde ocorre.

“Além de dados botânicos, buscamos inserir as características funcionais das espécies, como sua capacidade de fixação biológica de nitrogênio, a atratividade que exerce sobre a fauna silvestre e a oferta de produtos florestais madeireiros e não madeireiros”, explica o pesquisador da Embrapa Luiz Fernando Duarte de Moraes, um dos idealizadores do App.

Para obter as informações, o usuário pode optar e utilizar o botão “Busca catálogo” ou “Busca por estado”.

Para cada opção, é possível criar filtros considerando espécies fixadoras de nitrogênio, biomas, uso econômico, tipos de solo e ocorrência. Além disso, é possível saber se a espécie é ameaçada de extinção, criar uma lista de espécies “favoritas” e ainda compartilhar as informações.

Segundo Moraes, a ideia é oferecer uma ferramenta que permita o planejamento ambiental e econômico para os projetos de restauração, contribuindo assim para o uso racional dos recursos naturais.

“O ponto de partida é a relação entre a biodiversidade e o funcionamento de ecossistemas”, comenta o pesquisador. Ele explica que a escolha adequada das espécies, baseada nas suas características ecológicas, fitotécnicas e seu potencial econômico, contribui para aumentar a probabilidade do sucesso dos projetos de restauração florestal.

A falta de evidentes retornos econômicos e produtivos pela restauração das áreas de preservação permanente e de áreas de reserva legal dificulta sua adoção pelo produtor rural, mesmo em situações em que é necessária a reparação de danos ambientais

Devido aos altos custos de implantação e manutenção, muitos proprietários rurais entendem a prática de restauração como uma concorrente em área de produção, além de representar um gasto a mais na propriedade. 

“Por isso, eles têm dificuldades em visualizar a contribuição dessa prática para a conservação dos recursos naturais e a provisão de serviços ambientais, importantes também para a produção agropecuária, como a disponibilidade de água”, explica o cientista.

Com o aplicativo, o produtor, ou o técnico, pode escolher as espécies que mais se adequam à sua realidade e que também possam lhe trazer algum retorno econômico.

Infográfico: Christine Saraiva

Ciência cidadã

Por ser uma base extensa, com mais de 700 espécies, os idealizadores explicam que não será incomum encontrar lacunas de informação para algumas espécies.

“O que parece fragilidade é justamente uma grande oportunidade de exercermos o princípio da Ciência Cidadã, um tipo de ciência baseada na participação voluntária de todo cidadão interessado em compartilhar seu conhecimento para o bem da coletividade”, explica o pesquisador. 

A concepção dos criadores é de um produto de construção contínua e coletiva, em que o usuário pode colaborar a qualquer momento.

“Quem dispuser de alguma informação que queira compartilhar para enriquecer nossa lista de espécies vai encontrar a orientação no próprio aplicativo”, complementa Moraes. 

Apesar de 276 espécies ser considerado um acervo robusto, o Restaura já nasce com a possibilidade de expansão. Projetado e construído com a filosofia de ser extensível, ele pode agregar dados adicionais sobre novas espécies ou mesmo ser expandido e apresentar informações de outros biomas brasileiros. Além disso, segundo o professor da UFFRJ Sérgio Serra, o Restaura é facilmente atualizável.

“Entre as possíveis melhorias estão a adição de imagens das plantas e a oferta de interfaces mais inclusivas para usuários portadores de necessidades especiais”, revela o professor. 

Elaborado por estudantes vencedores de um Hackaton Acadêmico, o App teve como material de referência publicações sobre as espécies vegetais nativas da Mata Atlântica produzidas em estudos liderados pelo pesquisador da Embrapa e sua equipe. Uma das maiores dificuldades dos desenvolvedores foi a gestão desses dados científicos. 

“As informações técnicas estavam em várias publicações e repositórios sob diversos formatos. Foi necessário desenvolver um modelo de dados que fosse ao mesmo tempo dinâmico, eficaz e extensível, sendo capaz de agregar e armazenar um grande volume de dados heterogêneos”, conta Serra. 

Fruto de uma parceria entre a Embrapa e a UFRRJ, o Restaura foi desenvolvido por uma equipe multidisciplinar formada por estudantes dos cursos de Agronomia (Pedro Vieira) e Sistemas de Informação (Renan Miranda, Gabriel Rizzo e Felipe Klinger) da Universidade, tendo como mentores o professor Serra e o pesquisador Moraes. 

“A parceria permitiu não apenas a criação de um produto inovador e robusto, mas principalmente a formação de profissionais com novas habilidades e competências para encarar os novos desafios da sustentabilidade e da agricultura 4.0”, relata o professor.

Crédito:
Imprensa | Embrapa

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