Do mar para moda: pesquisadora e estilista, cria startup que propõe modelo circular com algas

O modelo de circularidade tem as algas como matéria-prima, abrangendo desde o cultivo, fibras têxteis, biomassa até o biocombustível.
O modelo de circularidade tem as algas como matéria-prima, abrangendo desde o cultivo, fibras têxteis, biomassa até o biocombustível.

Imagem: Divulgação

Thamires Pontes é estilista e Mestra em Têxtil e Moda (USP), trabalha na área têxtil há 9 anos, especialmente com mercado asiático, onde representa fábricas da China no Brasil.

Atua à frente de duas startups a Brazilian Fashion Lab (BFL), voltada para a moda em pesquisa, inovação e desenvolvimento de novos materiais como as fibras de ágar-ágar (polímero das algas vermelhas do nordeste do Brasil), e a Phyco Labs, voltada para soluções em diversas áreas com produtos à base de algas.

A moda é uma das indústrias mais poluentes, é responsável por quase 10% das emissões de gases do efeito estufa, consome 79 trilhões de litros de água e gera 92 milhões de toneladas de resíduos. Em 2020, a produção de fibras têxteis correspondeu a 109 milhões de toneladas, sendo 62% de fibras sintéticas de origem petroquímica.

“Existem problemas em toda a cadeia de valor, desde a matéria-prima, até o uso de tecidos e o descarte das peças. Todos os processos e os consumos de energia, produtos químicos, água, resíduos e emissão de gases do efeito estufa estão elencados. O interesse por algas surgiu depois do desenvolvimento das fibras de ágar-ágar em meu mestrado e a partir de então, com alguns parceiros, foram desenvolvidas pesquisas para bioplásticos, proteínas análogas às proteínas de origem animal, biofertilizantes e hidrocoloides – todos à base de algas”, diz Thamires.

As fibras naturais de origem vegetal e muitas artificiais dependem de terras agricultáveis, com o aumento populacional, em algum momento será preciso escolher entre quais serão utilizadas para comer e para o cultivo de outros insumos.

Não adianta enxergar a moda como uma indústria isolada, sendo que existe uma dependência da indústria química, da agricultura e tantas outras. Foi a partir desse pensamento macro, que nasceu o modelo de circularidade tendo as algas como principal matéria-prima, que abrange desde o cultivo, fibras têxteis, biomassa até o biocombustível.

Para encarar esse desafio, a Thamires montou uma equipe multidisciplinar e transversal, com profissionais de diversas áreas e regiões do Brasil.

Ela conta com o apoio do professor de tecnologia de polímeros PhD da Poli-USP, Hélio Wiebeck, o engenheiro de produção Wolgrand Lordão e Diego Nunes, engenheiro elétrico. Além disso, a equipe possuí apoio de dois consultores externos, Rodrigo F. Cano, engenheiro de bioprocessos, atual mestrando da UFRJ e consultor de projetos de PD&I, e Cícero Alves-Lima, biólogo Pós-Doc em Bioquímica, especialista em algas pelo Instituto de Química da USP.

O projeto é extenso, onde cada etapa recebe uma atenção especial para reduzir os grandes problemas causados pela indústria da moda ao solo, ar e oceanos.

Crédito:
Imprensa

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