China suspende importação de plástico da Europa

Foto: viperagp / Fotolia

O governo de Pequim, na China, o país que mais importava resíduos de plástico no mundo, suspendeu sua importação. A Europa tem um enorme problema pela frente: a China tinha um papel de destaque no mercado de reciclagem de resíduos plásticos.

Nos últimos 10 anos, as importações chinesas de resíduos aumentaram dez vezes. Porém como os resíduos eram freqüentemente não classificados, os componentes tóxicos não eram especificados, como a sucata eletrônica, que polui o meio ambiente. Já em 2013, a “Operação Green Fence” foi iniciada pelo governo chinês, a fim de controlar melhor a importação destes resíduos e não deixar que materiais perigosos entrassem no país. Desde então, isso forçou as empresas exportadoras e de reciclagem no exterior a classificar e controlar melhor seus resíduos.

No final de julho de 2017, o Ministério do Meio Ambiente de Pequim já havia mencionado sobre esta ação: o governo informou a Organização Mundial do Comércio que em breve, 24 variedades de lixo não seriam mais permitidas, dentre elas resíduos eletrônicos, resíduos de papel e resíduos plásticos.

Em 2016, a República Popular comprou 7,3 milhões de toneladas desse resíduo em todo o mundo. Somente na Alemanha, 1,5 milhões de toneladas de plásticos foram para a China, mais da metade do volume total produzido na Alemanha. A situação é similar em outros países da Europa Ocidental. Por exemplo, pouco mais de 800 mil toneladas foram enviadas para a China no ano passado, e cerca de 65% era plástico.

Para algumas empresas na China, isso também é problemático: pois até agora, muitas regiões do país viviam da indústria deste resíduo em específico. Territórios enormes na China vivem como se fossem “matadouros” de sucata. As condições oferecedias aos trabalhadores nem se fala, miseráveis. Em Guiyu, por exemplo, uma cidade no sul da China, onde um número particularmente grande de dispositivos são reciclados, os médicos conseguiram detectar níveis excessivamente elevados de chumbo no sangue em 80 por cento das crianças examinadas. O que não pode ser reciclado acaba frequentemente em rios, nos campos e, finalmente, no prato. No entanto, a classe média que vive nas grandes cidades está exigindo uma qualidade do ar e alimentos descontaminados. O governo em Pequim está começando a agir, assumindo todas as conseqüências, inclusive para o resto do mundo.

A Alemanha, terra famosa por ter coleta e separação seletiva de resíduos, o efeito da suspensão chinesa é no momento, sensível. A tendência agora é a reciclagem de plásticos na Alemanha aumentar gradualmente nos próximos anos. Atualmente, 36% dos resíduos de plástico são reciclados. Em 2022, a parcela deverá aumentar para 63%. Ao mesmo tempo, a União Européia está trabalhando para desenvolver pacotes e3 incentivoas a economia circular, com o objetivo de alavancar ainda a reciclagem dos seus próprios resíduos.

A ação chinesa de 2017 terá consequências mundiais. Isso significará que resíduos mais tóxicos, que iam para China, agora irão acabar nos lixões dos países ocidentais mesmo, e poluirão o meio ambiente onde os bens foram comprados e usados. Estão proibidos, além da sucata metálica e eletrônica, a maioria dos tipos de plásticos, como PET, PVC, polietileno ou poliestireno, bem como papel misto e escória de plástico.

Fontes consultadas na Alemanha:
https://www.heise.de/
http://www.sueddeutsche.de/
https://www.morgenpost.de/

Tradução:
Simone H., SUPPLYgoGREEN, especialmente para o portal de notícias Ambiental Mercantil.

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