Viagens unem turismo, voluntariado e desenvolvimento de fornecedores comunitários em unidades de conservação brasileiras

Viagens unem turismo, voluntariado e desenvolvimento de fornecedores comunitários em unidades de conservação brasileiras

Startup Vivalá volta a realizar expedições na natureza e aposta no fortalecimento do turismo sustentável no segundo semestre

A startup brasileira Vivalá surgiu para proporcionar experiências de conexão profunda com a natureza e, ao mesmo tempo, gerar oportunidades de desenvolvimento e qualidade de vida para comunidades tradicionais do país. Um dos diferenciais da organização é agregar às viagens o voluntariado de educação profissional para a capacitação de pequenos empreendedores das comunidades visitadas.

“Atuamos com o turismo de base comunitária, modalidade de visitação responsável em que os viajantes podem viver uma experiência genuína com a população local, além de contribuir positivamente com as pessoas da região através do voluntariado contínuo”, explica Daniel Cabrera, diretor executivo da Vivalá.

Após uma pausa provocada pelo agravamento da pandemia no País, a empresa retomou suas atividades em junho, na Expedição Amazônia Rio Tapajós, e faz em julho a Expedição Amazônia Rio Negro, dentro da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) no Amazonas.

Os grupos serão menores nesta retomada e os cuidados sanitários para mitigar os riscos em relação à pandemia serão redobrados.

A Vivalá lançou 15 opções de datas de expedições para a Amazônia no segundo semestre, além de ter uma série de novos lançamentos previstos para os próximos meses em destinos como os Lençóis Maranhenses, Chapada dos Veadeiros, Chapada Diamantina, entre outros destinos, sempre com o tripé sustentável ambiental, social e financeiro. 

As expedições costumam reunir grupos entre 10 e 20 pessoas, tanto do Brasil quanto do exterior, interessadas em roteiros com paisagens paradisíacas e profunda interação cultural.

“Geralmente são pessoas que amam estar em contato com a natureza e buscam conhecer o Brasil e sua população a fundo, que têm o hábito de viajar e querem experiências mais profundas e autênticas”, conta Cabrera. 

Para contribuir com o desenvolvimento sustentável das comunidades, a Vivalá criou uma metodologia de capacitação para os empreendedores comunitários chamada de “Universidade Vivalá de Negócios”, contemplando 413 mentorados entre pequenas pousadas, restaurantes, canoeiros, artesãos, guias, dançarinos, entre outros.

“Nosso objetivo é que os serviços contratados sejam oferecidos pelos próprios moradores do entorno das unidades de conservação, garantindo emprego e renda por meio da atividade turística sustentável. Além de injetar o capital dos turistas por meio do pagamento justo pelos serviços, pelo menos 50% do nosso lucro é reinvestido para aumentar a operação e gerar ainda mais impacto positivo”, frisa Cabrera. 

A capacitação oferecida pela empresa engloba temas como marketing, vendas, planejamento financeiro, atendimento ao público, ações sustentáveis, entre outros, e já mobilizou 773 viajantes de 9 países que contribuíram com mais de 4.500 horas de voluntariado em 50 expedições promovidas, e até agora injetaram mais de R$ 520 mil nas economias locais por meio da compra de serviços de base comunitária.

Novos roteiros

Apesar do impacto da pandemia nos negócios, a Vivalá iniciou um processo de expansão em 2021 com o desenvolvimento de novos roteiros. Isso foi possível porque a startup foi um dos destaques da teia de soluções da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, iniciativa que tem por objetivo apoiar propostas inovadoras e negócios de impacto positivo, capazes de endereçar desafios socioambientais e, ao mesmo tempo, gerar uma cadeia sólida e financeiramente sustentável.

Com o apoio financeiro da Fundação, a Vivalá ampliará para sete as comunidades que recebem suas expedições de Turismo Sustentável, passando a operar também em unidades de conservação do Cerrado, Mata Atlântica e Caatinga, além de manter suas operações na Amazônia, aumentando também em até 150% o número de pequenos empreendedores capacitados localmente.

“Para criar uma nova expedição, precisamos realizar ampla articulação com diferentes atores sociais, como líderes comunitários, parceiros locais, organizações da sociedade civil e os diversos órgãos do poder público, sempre respeitando interesses dos envolvidos e o objetivo maior de gerar desenvolvimento socioambiental nas comunidades”, explica o diretor da Vivalá.

A gerente sênior de Conservação da Natureza da Fundação Grupo Boticário, Leide Takahashi, ressalta que ecoturismo é uma atividade catalisadora de desenvolvimento socioeconômico e contribui muito para o engajamento da sociedade em prol da conservação da natureza.

“Acreditamos que o turismo em áreas naturais é uma tendência para o momento pós-Covid, que pode contribuir com a geração e distribuição de renda em localidades mais distantes. Além disso, é capaz de sensibilizar as pessoas para a causa ambiental, usando a natureza de forma responsável e sustentável”, ressalta. Ela lembra também a capacidade que o contato com a natureza tem de melhorar a saúde e o bem-estar dos viajantes. “É comprovado que esse tipo de experiência reduz níveis de estresse e depressão, melhora a imunidade, a qualidade do sono e estimula a criatividade”, salienta Leide, que também é membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN).

O desejo de estar em contato com a natureza e a melhoria da saúde mental serão, inclusive, os maiores impulsionadores do turismo de bem-estar no pós-pandemia. Essa é a conclusão de uma pesquisa realizada no segundo semestre de 2020 pela Wellness Tourism Association (WTA). A entidade já havia identificado um crescimento de 6,5% nas viagens associadas à busca por manter ou melhorar o bem-estar pessoal entre 2017 e 2019, o dobro do crescimento do turismo em geral no período. De acordo com estimativas da Organização Mundial de Turismo (OMT), cerca de 10% dos viajantes em todo o mundo têm o turismo ecológico como demanda.

Para Daniel Cabrera, da Vivalá, além de proporcionar bem-estar, a imersão em áreas naturais tem uma função educativa, pois amplia a consciência dos turistas a respeito da necessidade de conservação do meio ambiente.

“Estar em contato com tamanha biodiversidade tem um grande potencial transformador. Acredito que só conseguimos proteger o que a gente conhece”, reflete. “É importante que os brasileiros conheçam melhor o próprio país e ressignifiquem a relação com a natureza, a cultura e o senso de comunidade. Penso que o turismo com propósito tem tudo para crescer cada vez mais”, analisa.

Sobre a teia de soluções

Lançada em 2020 com dois processos seletivos, a teia de soluções estimulou o desenvolvimento de projetos voltados a desafios relacionados ao turismo em áreas naturais e à Grande Reserva Mata Atlântica – o maior remanescente do bioma no Brasil. Ao todo, seis projetos foram selecionados para receberem apoio financeiro e serem impulsionados. Os negócios selecionados foram desenvolvidos ou aprimorados com acompanhamento de consultores voluntários e especialistas da Fundação para que se tornem economicamente viáveis. Neste ano, a teia tem o oceano como foco de atuação, com a busca por soluções para regiões costeiras e marinhas. Site: CONSERVATHON (teiadesolucoes.com.br)

Crédito:
Imprensa | Ambiental Mercantil

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