Compromissos internacionais para a garantia de água

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Foto: Represa Atibainha, Nazaré Paulista/SP. Crédito: Jean Marcel
Foto: Represa Atibainha, Nazaré Paulista/SP. Crédito: Jean Marcel Camargo

Imagem: Divulgação | Projeto Semeando Água foi apresentado como caso de sucesso em evento paralelo da Conferência da ONU sobre Água

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AMBIENTAL MERCANTIL

Março de 2023 – A Conferência da Água, realizada na última semana na sede da ONU em Nova York, atualizou a Agenda de Ação da Água. O documento reúne cerca de 700 compromissos propostos por mais de 10 mil chefes de Estado e de governo, representantes de organizações sociais e ativistas para proteger “o bem comum global mais precioso da humanidade”. Uma das principais pautas da conferência foi a necessidade de aliar as propostas para o enfrentamento do risco iminente de uma crise hídrica global aos desafios frente às mudanças climáticas. A escassez também impacta outros setores essenciais ao bem estar da humanidade – como o fornecimento de alimentos e energia, com demandas crescentes.

As ações visam estabelecer uma gestão sustentável e uma política integrada de água e clima nos níveis nacional e global até 2030.

Os compromissos nacionais assumidos contemplam a criação de um sistema de informação e de uma rede de educação ambiental, construção de equipamentos de saneamento e a restauração de 300 mil quilômetros de rios degradados e grandes áreas alagadas.

O Projeto Semeando Água, que atua há mais de 10 anos pelo aumento da segurança hídrica do Sistema Cantareira – responsável pelo abastecimento de mais de 7 milhões de pessoas nas regiões metropolitanas de São Paulo, Campinas e Piracicaba – participou em um dos eventos paralelos da Conferência, organizado pelo Consórcio PCJ (Consórcio Intermunicipal das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí).

Apresentado como caso de sucesso na área de Restauração Florestal no evento “A sustentabilidade hídrica através do nexo Água-Energia-Alimento com a participação multisetorial” o projeto se mostrou alinhado aos compromissos internacionais da Agenda de Ação da Água, atuando na mitigação e adaptação à mudança do clima, articulação política, educação e disponibilização de informação sobre o tema.

A apresentação de Andrea Pupo, coordenadora de Educação Ambiental do Projeto Semeando Água, mostrou a importância da integração entre suas áreas de atuação e os aprendizados e conquistas alcançados.

“A restauração florestal das áreas ao redor de nascentes, rios e reservatórios (Áreas de Preservação Permanente) e a adoção de Sistemas Produtivos Sustentáveis recuperam o solo degradado, que é um dos maiores entraves à infiltração da água das chuvas, além de contribuir com um balanço positivo na absorção de carbono. Essas ações são fundamentais para garantir a segurança hídrica e o desenvolvimento econômico na região do Sistema Cantareira e colocam os(as) produtores(as) rurais na posição de protagonistas da conservação. A iniciativa “Escolas Climáticas” envolve os adolescentes dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio nessa e em outras temáticas. Estes jovens serão os principais afetados pela crise climática e econômica. Participam ativamente de espaços democráticos de tomada de decisão, os Coletivos Socioambientais, e apontam as possibilidades de atuação para construir um futuro sustentável.”

O Semeando Água já plantou mais de 540 mil árvores nativas da Mata Atlântica na região no Sistema Cantareira. Para que os compromissos da Agenda pela Água sejam atingidos é preciso aumentar a escala das ações, o que exige o envolvimento de órgãos governamentais e empresas.

O déficit de árvores que ainda precisam ser plantadas na região é de 35 milhões, que correspondem a uma área de 21 mil hectares (o equivalente a 21 mil campos de futebol).

A criação de uma visão integrada e um plano de ação estratégico é desenvolvido através dos eixos de Políticas Públicas e Desenvolvimento Econômico Territorial, coordenado por Simone Tenório. A conferência da ONU alerta que é necessário reavaliar a água como uma forma de impulsionar a economia – mais da metade do PIB total mundial (U$ 44 trilhões) é moderada ou altamente dependente da natureza (The New Nature Economy Report).

O meio ambiente é a base de recursos que tornam o desenvolvimento possível. Sem água, indústrias e empresas não conseguem desenvolver suas atividades. A crise hídrica de 2014 levou muitos negócios a fecharem suas portas ou interromperem suas atividades. Garantir o fornecimento de água em qualidade e quantidade é evitar os custos e prejuízos causados pela escassez. O Sistema Cantareira é uma área de enorme importância para o abastecimento.

A conservação dos recursos hídricos precisa ser considerada como prioritária e guia para as ações de desenvolvimento econômico.

E para isso é preciso desenvolver negócios inovadores e sustentáveis, adequados às questões climáticas e que promovam geração de renda para os moradores do território. Essa é uma medida contra as ameaças de parcelamento do solo na região, que depende do envolvimento de diversos setores (público, privado, terceiro setor). A integração entre as ações faz com que os recursos sejam utilizados de maneira mais eficiente e os resultados alcançados sejam mais rápidos e duradouros.” ressalta Tenório.

Apesar do volume de chuva acima da média neste verão, que deixou o Sistema Cantareira com 80% de sua capacidade, ainda é preciso fortalecer a resiliência hídrica do Sistema, para que possua a capacidade de se recuperar em casos de períodos de secas intensas ou prolongadas – eventos extremos esperados diante da imprevisibilidade da crise climática.

Para isso, o Projeto Semeando Água, uma iniciativa do IPÊ -Instituto de Pesquisas Ecológicas, patrocinado pela Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, também trabalha para aumentar também a resiliência socioeconômica, a sustentabilidade ecológica e a inclusão social, outros pontos destacados na Conferência da Água da ONU, impulsionando ações que contribuem para uma gestão integrada da água, do clima e do território.

Site oficial: https://www.ipe.org.br

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