Projeto Aves de Noronha quer colocar Fernando de Noronha no mapa mundial do turismo de observação de aves

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Sebito-de-noronha, espécie rara encontrada em Fernando de Noronha. Foto: Heideger Nascimento

Imagem: Divulgação

  • Apoiado pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, iniciativa lança o “Guia de Aves Fernando de Noronha” e oferece quatro rotas turísticas de observação de aves, em uma parceria com empresas de turismo e guias locais.
  • Modalidade movimenta milhões nos Estados Unidos e na Europa e começa a crescer no Brasil.
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Outubro de 2023 – Colocar, de forma sustentável, Fernando de Noronha (PE), ilha já bastante conhecida pela sua singular beleza natural, no mapa do mapa do turismo de observação de aves, que movimenta milhões nos Estados Unidos e na Europa e começa a crescer no Brasil. Esse é um dos objetivos do projeto Aves de Noronha que para isso lança o “Guia de Aves Fernando de Noronha” e oferece quatro rotas turísticas de observação de aves, em uma parceria com empresas de turismo e guias locais.

O projeto é realizado pelos pesquisadores Cecília Licarião, Larissa Amaral, Geisiane Sobral e Heideger Nascimento, com o apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza e da Log Nature.

Bilíngue (português e inglês), em formato de bolso, o Guia compila, de forma simples e acessível, as 40 espécies mais representativas de aves que habitam a ilha. A publicação divide a lista de espécies entre residentes, migratórias e exóticas. As imagens contêm símbolos que representam o status de conservação, o habitat e os principais itens da dieta das aves catalogadas.

“Trata-se de um material com linguagem acessível, uma vez que a nossa intenção é atrair o olhar das pessoas para essa atmosfera, para a biodiversidade das aves”, explica *Cecília Licarião, uma das coordenadoras do projeto Aves de Noronha e do Guia.

Além do livro, que desperta curiosidade sobre a biodiversidade das espécies, o Aves de Noronha também oferece quatro rotas turísticas de observação de aves, apresentadas em dois pacotes: individual ou em grupo. Eles incluem opções de três ou seis noites de hospedagem, não abrangendo alimentação e transporte aéreo. No entanto, o projeto fornece indicações de agências especializadas para auxiliar no transporte aéreo, caso necessário. Os visitantes têm a liberdade de escolher a rota de acordo com a época do ano (chuvosa ou seca) e os seus interesses pessoais.

“Esses produtos ajudam a levantar fundos para manter o projeto. Obrigatoriamente, envolvemos os guias locais nessa iniciativa, pois entendemos que o dinheiro gerado pelas vendas deve circular na economia da região”, explica Cecília Licarião. “O Brasil é um dos países com mais endemismo e as pessoas vêm de fora, justamente, para ‘completar o seu álbum de figurinhas’ vendo espécies que só podem ser encontradas aqui. Daí, o grande potencial desse tipo de turismo”, conclui.

O Guia pode ser adquirido nas lojas das entradas ao Parque Nacional e pelo site A Loja dos Passarinhos, parceira do projeto. O grupo Atlantis, também parceiro do Aves de Noronha, foi responsável pela produção da publicação.

As informações sobre as rotas de observação de aves e o valor dos pacotes estão disponíveis no site
https://www.espacosilvestre.org.br/birdwatchingnoronha 

As espécies raras da ilha

O Arquipélago de Fernando de Noronha abriga a maior diversidade de aves marinhas do país. Ao todo, são quase 90 espécies de aves registradas que usam a ilha para descanso, alimentação e reprodução, das quais 17 são residentes, ou seja, moram em Noronha e podem ser observadas durante todo o ano. Seis espécies, porém, correm perigo de desaparecer e duas delas, o sebito-de-noronha e a cocoruta, só existem em Fernando de Noronha.

O sebito-de-noronha ou juruviara-de-noronha é o nome desse pássaro que habita florestas, jardins e áreas arborizadas, com preferência pelas copas dos mulungus. Alimenta-se de insetos e artrópodes, como pequenas aranhas. As aves têm cerca de 15 centímetros de comprimento, pesam, em média, 10 gramas, e possuem coloração verde-acinzentada nas partes superiores e marrom-claro e creme no ventre. A fêmea coloca cerca de dois ovos, que são chocados durante 12 ou 13 dias. Seu ninho, em formato de tigela funda, é feito de materiais vegetais e teias de aranha, costurados em galhos fininhos, parecendo uma taça de vinho pendurado. O pássaro sofre ameaça pela degradação de seu habitat, principalmente pela introdução de espécies exóticas, como gatos e ratos.

A cocoruta é um pássaro de 17 centímetros de comprimento, com pescoço branco e laterais e peito em tom acinzentado. A barriga é de coloração amarelada. Alimenta-se de insetos e frutos e, segundo os pesquisadores, uma cocoruta pesa, em média, 20 gramas. É encontrada em matas secas e áreas antrópicas do arquipélago de Fernando de Noronha. Também encontra-se ameaçada de extinção pelos mesmos motivos que o sebito-de-noronha.

Impacto socioambiental positivo

O Aves de Noronha foi um dos projetos selecionados pelo Camp Oceano, iniciativa realizada em 2021 pela Fundação Grupo Boticário para o desenvolvimento de soluções para a conservação da biodiversidade costeiro-marinha brasileira. Estabelecido por meio de cocriação, com capacitações e mentorias para aprimorar as ações, o projeto foi um dos 19 selecionados em todo o país para receber apoio técnico e financeiro.

“O Aves de Noronha demonstra grande potencial para gerar impactos positivos e duradouros para a conservação da natureza, unindo o turismo, a ciência, a educação, o desenvolvimento econômico e a integração com a comunidade”, avalia Omar Rodrigues, gerente sênior de Engajamento e Relacionamento Institucional da Fundação Grupo Boticário.

Sobre a Fundação Grupo Boticário

Com 33 anos de história, a Fundação Grupo Boticário é uma das principais fundações empresariais do Brasil que atuam para proteger a natureza brasileira. A instituição atua para que a conservação da biodiversidade seja priorizada nos negócios e em políticas públicas e apoia ações que aproximem diferentes atores e mecanismos em busca de soluções para os principais desafios ambientais, sociais e econômicos. Já apoiou cerca de 1.600 iniciativas em todos os biomas no país. Protege duas áreas de Mata Atlântica e Cerrado – os biomas mais ameaçados do Brasil –, somando 11 mil hectares, o equivalente a 70 Parques do Ibirapuera.

Com mais de 1,2 milhão de seguidores nas redes sociais, busca também aproximar a natureza do cotidiano das pessoas. A Fundação é fruto da inspiração de Miguel Krigsner, fundador de O Boticário e atual presidente do Conselho de Administração do Grupo Boticário. A instituição foi criada em 1990, dois anos antes da Rio-92 ou Cúpula da Terra, evento que foi um marco para a conservação ambiental mundial

Site oficial: https://www.fundacaogrupoboticario.org.br

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