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Coronavírus muda celebrações do Dia Mundial da Água

Por Ângela Schreiber, com exclusividade para nosso canal de notícias.

Recurso natural essencial para a sobrevivência, a água tem, merecidamente, o seu Dia Mundial: 22 de março. A Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu a data no ano de 1993, com o objetivo de alertar a população mundial sobre a preservação dos bens naturais, em especial da água. O tema deste ano é “Água e mudanças climáticas”. Muito além de celebrar, precisamos lembrar da pandemia de coronavírus.

            A situação mundial pede mudanças de hábito. Mais do que necessário, lavar as mãos tornou-se uma questão de sobrevivência. Comunidades que lutam com a escassez de água estão muito preocupadas. Segundo publicado no site jc.ne10.uol.com.br, moradores de comunidades carentes e bairros da Região Metropolitana do Recife (PE) não conseguem seguir as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS).

“E como é que eu vou lavar tanto as mãos desse jeito se não tem água todo dia? E, quando tem, preciso gastar com prudência para não ficar sem no outro dia, já que não há certeza de que a água chegará? É imprevisível”. A queixa é de Maria Aparecida da Silva, dona de casa que mora no Alto Santa Terezinha, Zona Norte do Recife.

            André Monteiro Costa, pesquisador do Instituto Aggeu Magalhães (Fiocruz/PE), fez um alerta.

“O abastecimento precisa ser ampliado e o rodízio do racionamento reduzido. Isso é urgente. O risco é muito grande. O momento é de, se for o caso, transferir o abastecimento de bairros mais nobres para os mais pobres. A política de rodízio para as comunidades mais vulneráveis tem que acabar. Elas têm que ter água todos os dias. E isso é uma decisão política. Se há problemas na rede, seja pelas perdas ou ausência de conexão, é necessário fazer o fornecimento de água com carros-pipas”.

            Mas há boas notícias, em meio ao caos. Na Cidade do Cabo, capital legislativa da África do Sul, lavar as mãos não tem sido um problema. Depois de ter sofrido uma grave crise de abastecimento de água no ano passado, a segunda cidade mais populosa do país não vê o fornecimento de água ameaçado.

A vereadora Xanthea Limberg afirmou que é preciso estar atento ao consumo de água, mas que a prefeitura incentiva os moradores a lavarem as mãos, pelo bem da coletividade.

“O lavar das mãos usa comparativamente menos água do que outras atividades e não se espera que cause uma ameaça à segurança hídrica”, disse ela.

As informações sobre a Cidade do Cabo foram publicadas no site iol.co.za.

            O cenário atual também mudou as celebrações do Dia Mundial da água. A cidade de Montes Claros (MG), teria atividades para comemorar o Dia Mundial da Água. Mas o prefeito Humberto Souto assinou o Decreto nº 4001, no dia 13 último, recomendando precaução em função da pandemia de coronavírus. O município atendeu ao Decreto e as atividades devem ser remanejadas para o período de 01 a 06 de junho, durante a Semana do Meio Ambiente.

            A prefeitura de Canaã dos Carajás, cidade do interior do Pará, expediu no dia 18 de março um decreto municipal, suspendendo as comemorações do dia 22. O objetivo é seguir as recomendações da OMS: evitar aglomerações. Segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, as visitações ao Parque Ambiental Veredas dos Carajás serão remarcadas, assim que as medidas de isolamento não se fizerem mais necessárias.  

Preservação da água é desafio constante

            Apesar da pandemia de coronavírus, vale lembrar que a água é importante não só para as pessoas, mas também para o equilíbrio dos ecossistemas. O consumo consciente deste recurso natural finito é destacado na Declaração Universal dos Direitos da Água, criada pela ONU há 28 anos. Os 10 artigos da declaração abordam a preservação e proteção dos recursos hídricos do planeta, bem como a consciência ambiental.

“O equilíbrio e o futuro do nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos. Estes devem permanecer intactos e funcionando normalmente para garantir a continuidade da vida sobre a Terra. Este equilíbrio depende, em particular, da preservação dos mares e oceanos, por onde os ciclos começam”. (Artigo 4)

            Os ciclos naturais dependem da água, e a produção de alimentos também. Pequenas ações como não descartar lixo nos mares, rios e oceanos, ajudam a preservar este líquido tão importante para a biodiversidade e para o ser humano. Cerca de 70% do nosso corpo é formado por água.

            Ainda bem que existem empresas preocupadas com o consumo responsável da água. A Agreste Saneamento, empresa do grupo Iguá Saneamento e que atua junto com a Companhia de Saneamento de Alagoas (CASAL) através de uma parceria público-privada, investe em estratégias operacionais para reduzir as perdas de água.

            Em matéria publicada no site gazetaweb.globo.com, Mikael Vasconcelos, coordenador técnico operacional da Agreste Saneamento, conta que a empresa adotou sistemas de circuito fechado nas Estações de Tratamento de Águas (ETAs). Assim, o índice fica reduzido a menos de 1%.

“As ETAs funcionam no que chamamos de circuito fechado, no qual toda a água que seria descartada junto aos resíduos sólidos retorna para as etapas de tratamento, evitando assim o desperdício. Captamos, no último mês, mais de 2 bilhões de litros de água, o que corresponde a 72 milhões de litros coletados por dia. Tão importante quanto o volume captado, é o volume tratado. Em dezembro de 2019, tivemos mais de 2 bilhões de litros tratados”, disse Mikael.

            A empresa conta ainda com a tecnologia. Um monitoramento constante – físico e digital – identifica possíveis variações de pressões e vazões. Neste caso, o sistema de adução pode estar com vazamentos. A Estação de Tratamento de Água em Arapiraca é visitada por grupos de estudantes (de 12 anos em diante), desde o ano de 2014.           

Lutar por este recurso natural é um verdadeiro desafio. Um artigo publicado no site ecodebate.com.br e assinado por Rodrigo Berté (diretor da Escola Superior de Saúde, Biociências, Meio Ambiente e Humanidades do Centro Universitário Internacional UNINTER) e André M. Pelanda (professor dos cursos da área ambiental da UNINTER), destaca a verdadeira importância do Dia Mundial da Água.

“Necessitamos de água de boa qualidade e em grande quantidade. Em alguns países há disputa pela água, o que ainda não ocorre aqui no Brasil. Devemos seguir os bons exemplos e ‘plantar água’, ou seja, proteger as nascentes, plantar árvores no entorno, nas margens dos rios e, cada vez mais, deixar claro para a sociedade a importância da água para as atuais e futuras gerações”.

Filmes e cursos para enfrentar a quarentena

            Nestes tempos de quarentena, fãs da Sétima Arte têm a opção de assistir a filmes que falam sobre a água, como forma de comemorar o Dia Mundial da Água. Entre as sugestões listadas pelo site opovo.com.br estão:
“Vidas Secas”, baseado no livro homônimo de Graciliano Ramos;
“Waterworld – O Segredo das Águas”, ficção científica dirigida por Kevin Reynolds;
“Acquária”, drama/aventura com Sandy Leah e Júnior Lima no elenco.

A lista completa está no link: https://www.opovo.com.br/vidaearte/2020/03/20/dia-mundial-da-agua–confira-sugestoes-de-filmes-que-abordam-o-recurso-natural-como-tema.html

            Ainda como forma de aproveitar o isolamento social, a Agência Nacional de Águas (ANA) preparou 33 opções de curso na modalidade EAD. Acesse o link https://capacitacao.ead.unesp.br/index.php/inscricoes-abertas e faça sua inscrição.

ÂNGELA SCHREIBER - Comunicação Imprensa Ambiental Mercantil 
Jornalista Freelancer, trabalhou como repórter do jornal Comunidade News em Danbury, Connecticut, EUA 

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