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Acesso à água é fundamental para combater propagação da COVID-19 em áreas de favela

Água potável para os moradores das favelas de Majengo, na costa do Quênia, foi fornecida como parte de um projeto do ONU-HABITAT. (Agosto de 2018). Foto: ONU-HABITAT/Kirsten Milhahn

Como a lavagem regular das mãos é uma ferramenta essencial no combate à COVID-19, a ONU e seus parceiros estão tomando medidas para garantir que as pessoas que vivem em assentamentos informais no mundo todo tenham acesso à água corrente neste momento crítico, de acordo com a agência que trabalha para alcançar cidades mais sustentáveis.

O ONU-HABITAT disse que os impactos da nova doença do coronavírus podem ser consideravelmente mais altos entre pessoas pobres que vivem em favelas, onde a superlotação também dificulta a adoção de outras medidas recomendadas, como distanciamento social e autoisolamento.

O ONU-HABITAT está sediado em Nairóbi, que abriga a favela de Kibera, na qual as pessoas têm necessidades de curto prazo e difícil acesso a pontos de água. O acesso é ainda mais difícil em um período em que há restrições de movimento, medidas tomadas para conter a disseminação da doença.

Como disse a moradora Anna Nyokabi: “Não temos água suficiente para beber e cozinhar nossa comida, então onde conseguiremos água para lavar as mãos com frequência?”

Mais de 2 bilhões de pessoas afetadas

Se a comunidade internacional quiser derrotar a COVID-19, os governos devem fornecer a Nyobaki – e mais de 2 bilhões de pessoas em todo o mundo em situação semelhante – acesso contínuo ao serviço de fornecimento água.

Essa é a opinião de dez especialistas independentes nomeados pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra.

“Pessoas que vivem em assentamentos informais, pessoas sem-teto, populações rurais, mulheres, crianças, idosos, pessoas com deficiência, migrantes, refugiados e todos os outros grupos vulneráveis ​​aos efeitos da pandemia precisam ter acesso contínuo a água suficiente e acessível. Somente isso lhes permitirá cumprir as recomendações das instituições de saúde para manter medidas estritas de higiene”, disseram em comunicado divulgado na segunda-feira (23).

Os especialistas, que não são funcionários da ONU e não são remunerados pela Organização, pediram aos governos que proibissem imediatamente cortes nos serviços de água para pessoas que não podem pagar a conta.

“Também é essencial que forneçam água sem custo durante a crise às pessoas em situação de pobreza e às pessoas afetadas pelas dificuldades econômicas que se aproximam. Os prestadores de serviços públicos e privados devem ser obrigados a cumprir essas medidas fundamentais”, acrescentaram.

ONU-Água trabalhando com fornecedores e comunidades

Para abordar o acesso à água nas favelas, uma coalizão de agências da ONU sob a bandeira da ONU-Água está trabalhando com governos nacionais e locais, bem como organizações da sociedade civil, mulheres, grupos de jovens e líderes comunitários.

Eles estão apoiando uma rede global liderada pelo ONU-HABITAT de pequenos fornecedores de serviços de água e saneamento, serviços públicos e autoridades. A rede oferece suporte ponto a ponto sem fins lucrativos e pode fornecer consultoria técnica, treinamento online e outros suportes, além de compartilhar informações e aprendizado ativo na resposta à COVID-19.

“As empresas de serviços públicos podem ser incentivadas a manter a continuidade dos serviços de água e saneamento e garantir que a falta de pagamento não seja uma barreira para o acesso dos mais pobres”, disse o ONU-HABITAT, que é membro da ONU-Água.

As agências, programas e outras entidades da ONU também estão colocando água potável de emergência e instalações para lavagem de mãos em locais importantes em assentamentos informais e em locais públicos de alta densidade, como mercados e estações de ônibus.

Também estão engajando ativamente líderes e grupos comunitários por meio de redes de favelas, centros e redes de jovens, para treinar líderes comunitários, gerenciar instalações de lavagem de mãos e disseminar informações sobre a COVID-19.

As ações estão priorizando os idosos e as pessoas que vivem com condições médicas crônicas que são as mais vulneráveis ​​aos impactos da doença.

Crédito: Nações Unidas