Galeria Lume apresenta “Ensaio sobre o Fim do Mundo”, individual de Marina Hachem

Marina Hachem, 2022, obra da série “Ensaio sobre o Fim do Mundo” | Foto: Ana Pigosso
Marina Hachem, 2022, obra da série “Ensaio sobre o Fim do Mundo” | Foto: Ana Pigosso

Imagem: Divulgação

  • Para onde vão os pneus que não têm mais uso, bem como todo o lixo que a humanidade produz?
  • As obras que formam esta série têm como ponto de partida a indignação da artista, que chama a atenção para um tipo peculiar de lixões e aterros sanitários, também marcados pela queima do metano e outros gases tóxicos: os “cemitérios de pneus”

Novembro de 2022 – Foi a partir da descoberta de um cemitério de pneus no Kuwait – tão descomunal que é possível enxergá-lo em imagens de satélites – que a artista plástica Marina Hachem encontrou inspiração para a exposição “Ensaio sobre o fim do mundo”, inaugurada no dia 19 de novembro, na Galeria Lume, sob a curadoria de Agnaldo Farias.

Deste tipo peculiar de lixão surgiu a reflexão que dá nome à mostra: estaria o homem ensaiando o fim do seu mundo?

A indignação é a tônica dessa série de obras que englobam técnicas mistas – assim como as emoções que provocam em quem as observa com mais atenção. Daí a opção pelo preto e por variações do branco e do cinza – tonalidades adequadas para a realização de paisagens medonhas, fumegantes e fedorentas como o Pantanal, que desde o ano passado nos vem chegando pelas imagens televisivas, com cadáveres carbonizados dos animais caídos ao final de uma fuga infinita.

A partir dessa representação, a artista buscou reconstituir em imagens o cenário singular e assustador que via, trazendo uma espécie de movimento para as infinitas pilhas de pneus inertes.

“O que mais me interessa nessa série é a quantidade de pneus e o sombreamento entre um e outro. Cria-se uma ideia de movimento e fluidez, de permanente correnteza. Se você fica olhando por muito tempo, parece que a imagem está se mexendo.”, explica a artista, dizendo este ter sido o estopim da ideia para as obras desta exposição.

“Eu queria, a partir de então, reinterpretar essas imagens e relacioná-las na materialidade, de alguma forma, com a natureza”, finaliza.

Para isso, Marina apropriou-se e transferiu as fotografias para as telas, recortando-as, alterando seus enquadramentos, ampliando ou reduzindo alguns de seus detalhes e reais dimensões. À base de pastel oleoso de cor preta, as produções da artista foram parcialmente encobertas por camadas de cimento branco e cinza, finalizadas com uma crosta de telas de arame (tela de galinheiro).

O resultado das obras é áspero, crispado, convulso – paisagens encarceradas. Vistas de cima, como pela janela de um avião, entre os vales fabricados pelas encostas de pneus, as paisagens parecem não ter profundidade, carecem de horizontes.

A prova da destruição não está apenas no Pantanal, na Floresta Amazônica, no degelo do Círculo Ártico, como demonstra a artista:

“A prova de tudo isso está aqui, colada a nós, moradores das grandes cidades, personificada nos lixões e aterros sanitários, pontuados pelas chamas permanentes da queima do metano, formando um imenso fogão com bocas escancaradas ao céu aberto”, completa o curador, Agnaldo Farias.

Sobre a artista 

Marina Hachem (1993) nasceu na cidade de São Paulo, onde vive e trabalha atualmente. É graduada em Artes Visuais pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), e estudou também na Central Saint Martins, em Londres – Inglaterra. Sua produção transita entre desenho, pintura, objeto, escultura e instalação. Participou de exposições coletivas como Mil e Uma (São Paulo) e Et tu, Art Brute? (Nova York); e apresentou a individual “Entrelinha”, em 2016, na galeria Arte Hall, em São Paulo. Em 2019, desenvolveu o programa de residência da SVA, em Nova York – EUA.

Sobre a Galeria Lume 

A Galeria Lume foi fundada em 2011 com a proposta de fomentar o desenvolvimento de processos criativos contemporâneos ao lado de seus artistas e curadores convidados. Dirigida por Paulo Kassab Jr. e Victoria Zuffo, a Lume se dedica a romper fronteiras entre diferentes disciplinas e linguagens, através de um modelo único e audacioso que reforça o papel de São Paulo como um hub cultural e cidade em franca efervescência criativa.

A galeria representa um seleto grupo de artistas estabelecidos e emergentes, dedicada à introdução da arte em todas as suas mídias, voltados para a audiência nacional e internacional, através de um programa de exposições plural e associado a ideias que inspiram e impulsionam a discussão do espírito de época. Foca-se também no diálogo entre a produção de seus artistas e instituições, museus e coleções de relevância. 

A presença ativa e orgânica da galeria no circuito resulta na difusão de suas propostas entre as mais importantes feiras de arte da atualidade, além de integrar e acompanhar também feiras alternativas. A galeria aposta na produção de publicações de seus artistas e realização de material para pesquisa e registro. Da mesma forma, a Lume se disponibiliza como espaço de reflexão e discussão. Recebe palestras, performances, seminários e apresentações artísticas de natureza diversa. 

SERVIÇO

Ensaio sobre o Fim do Mundo

Texto crítico: Agnaldo Farias
Local: Galeria Lume, sala expositiva I
Período expositivo: 19 de novembro de 2022 a 28 de janeiro de 2023
Horário de visitação: Segunda a sexta, das 10h às 19h; sábados, das 11h às 15h
Endereço: Rua Gumercindo Saraiva, 54 – Jardim Europa, São Paulo – SP

  • Entrada gratuita 

Informações para o público: tel.: (55) 11 4883-0351 | e-Mail:  contato@galerialume.com

Crédito:
Imprensa

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