Temperatura global pode ultrapassar 3ºC até 2100 mesmo com queda após Covid

NASA | Estudo chama a atenção para a ameaça do aquecimento global.

Relatório de Lacunas das Emissões projeta emissões de gases de efeito estufa 7% abaixo de 2019; estudo sugere recuperação verde para corte de 25% até 2030; setores de transporte marítimo e de aviação respondem por 5% das emissões globais. 

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, lançou o Relatório Lacunas das Emissões. 

A publicação anual confirma que mesmo após a breve queda nas emissões de dióxido de carbono, CO2, causada pela pandemia, o mundo ainda segue em direção a um aumento de temperatura superior a 3 ° C neste século.  

Tendências 

Foto: OMM/Gonzalo Javier Bertolotto Quintana

Documento realça ainda que a pandemia é um aviso da natureza para a questão das mudanças climáticas.

Neste 12 de dezembro, líderes globais marcam o quinto ano da conclusão do acordo climático, que definiu a limitação do aquecimento global a níveis abaixo de 2°C. 

O novo relatório realça que uma recuperação verde da pandemia pode cortar em cerca de 25% as emissões de gases do efeito estufa previstas para 2030. A medida também poderá colocar o mundo perto do limite de 2°C. 

Recuperação verde   

A recomendação feita aos governos é que façam todo o possível para implementar uma recuperação verde e fortalecer suas promessas antes da próxima reunião climática em 2021. 

O estudo destaca ainda que 2020 está a caminho de ser um dos anos mais quentes já registrados, após fenômenos como incêndios florestais, secas, tempestades e intensificação do degelo das geleiras. 

Foto: Pnud Mauritania/Freya Morales

Líderes globais marcam o quinto ano da conclusão do acordo climático.

Os autores do documento realçam que os níveis de ambição no Acordo de Paris devem ser aproximadamente triplicados para que se siga a via de aumento de 2 ° C e pelo menos cinco vezes para a via de 1,5 °C. 

No ano passado, as emissões totais de gases de efeito estufa, incluindo mudanças no uso da terra, atingiram um novo máximo do equivalente a 59,1 giga toneladas de CO2.  

Transição 

O estudo aponta que até agora os países perderam a chance dada pela abertura para adotar medidas de recuperação favorecendo uma transição verde. Joana Portugal Pereira reforça que a menos que se reverta essa tendência as metas do Acordo de Paris ficarão ainda mais fora de alcance.

“A nossa avaliação mostra, porém, que essa redução curta e breve não é suficiente para mantermos a rota compatível com os compromissos climáticos do Acordo de Paris.”

“Aproximadamente 90% dessas emissões se devem à queima de combustíveis fósseis. As restantes estão associadas a atividades relacionadas com a mudança do uso do solo, ou seja: o aumento crescente de desflorestamento que temos vindo a observar em várias regiões do planeta, designadamente no Brasil, infelizmente. Quando comparamos as emissões numa plataforma regional, sabemos que temos países que são os maiores poluidores: a China, os Estados Unidos, a Europa, a Índia, a Rússia e o Japão.” 

Foto: Unsplash/Johannes Plenio

Níveis de CO2 continuam em níveis recorde, apesar de uma descida nas emissões durante pandemia.

Cerca de um quarto dos membros do grupo das maiores economias desenvolvidas e em desenvolvimento do mundo, G-20, dedicou parte de seus gastos equivalente a até 3% do Produto Interno Bruto, PIB, explicitamente a medidas de baixo carbono. 

Para a maioria deles ainda predominam gastos com alto teor de carbono, cujo reflexo são emissões líquidas negativas, ou neutras, sem efeitos perceptíveis sobre as emissões. 

Baixo Carbono

No entanto, os autores consideram que “continua a haver oportunidade significativa para implementar políticas e programas de baixo carbono”. Os governos devem aproveitar o momento próximo das intervenções fiscais da Covid-19. 

O documento realça ainda que a pandemia é um aviso da natureza para a questão das mudanças climáticas, como perdas na natureza e a poluição. Também oferece uma oportunidade para uma recuperação que coloca o mundo em um caminho de 2°C. 

O relatório aponta o número crescente de países se comprometendo com metas de emissões líquidas zero até meados do século como o desenvolvimento mais significativo de 2020 em relação à política climática. 

“Quando comparamos as emissões numa plataforma regional, sabemos que temos países que são os maiores poluidores: a China, os Estados Unidos, a Europa, a Índia, a Rússia e o Japão.”

Foto: Diogo Moreira/Governo de Sao Paulo

Transporte marítimo e da aviação em nível internacional provavelmente consumirão entre 60 e 220% das emissões.

Pelo menos 126 países, cobrindo 5% das emissões globais de gases de efeito estufa, haviam adoptado, anunciado ou estavam considerando definir metas de emissões líquidas zero.

Setor de transportes

Se os Estados Unidos da América adotarem uma meta de emissões líquidas zero até 2050, conforme sugerido no plano climático do presidente-eleito Joe Biden, essa parcela aumentaria para 63%. 

O documento realça ainda que é preciso dar atenção ao setor de transporte marítimo e de aviação. Ambos são responsáveis por 5% das emissões globais e com um índice ainda em crescimento.  

Se as tendências atuais continuarem, as emissões combinadas do transporte marítimo e da aviação em nível internacional provavelmente consumirão entre 60 e 220% das emissões de CO2 permitidas até 2050 no cenário de 1,5°C. 

Com incentivo a melhorias em áreas como tecnologia e operações pode haver maior eficiência de combustível do transporte. O estudo adverte que os aumentos projetados na demanda sinalizam que isso não resultará na descarbonização e em reduções absolutas de CO2.

De acordo com os autores, os dois setores precisam combinar a eficiência energética com uma rápida transição dos combustíveis fósseis. 

Foto: ONU/ Mark Garten

Aquecimento do Ártico está a impulsionar muitas das mudanças em curso na região, incluindo a perda de gelo marinho e alterações nos ecossistemas terrestres e marinhos.

Crédito:
ONU Notícias

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