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São Paulo, setembro de 2021 – Os peixes estão entre os animais mais utilizados pelo homem, seja para consumo, pesquisa científica, recreação ou como animais de estimação. Cerca de 1,5 trilhão de peixes são capturados na natureza e até 167 bilhões são cultivados para consumo humano a cada ano em todo o mundo. Esse número é cerca de 25 vezes maior que todos os animais terrestres abatidos juntos, o que corresponde a aproximadamente 73 bilhões.
A Aquatic Life Institute (ALI) publicou seu novo relatório, Benefícios do Bem-Estar dos Animais Aquáticos para Sustentabilidade, com destaque para a relação entre a melhora da qualidade de vida dos animais aquáticos e o desenvolvimento sustentável. O documento convoca gestores públicos e entes da sociedade civil a considerarem a qualidade de vida desses animais em projetos de desenvolvimento sustentável daqui em diante.
O relatório identifica dez áreas prioritárias em que as considerações do bem-estar animal devem andar de mãos dadas com as metas ambientais globais e de sustentabilidade.
Neste ano crucial, com a inédita Cúpula do Sistemas Alimentares da ONU e a Organização de Alimentação e a Agricultura das Nações Unidas (FAO) criando novos direcionamentos em aquicultura sustentável, o relatório chega em um momento oportuno para enfatizar que o bem-estar da vida aquática não deve ser desconsiderado em nosso esforço para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Além disso, com o apoio das várias organizações de conservação dos oceanos que fazem parte da coalizão da ALI, esse relatório representa um chamado único para ampliar a representatividade de pautas ligadas à qualidade de vida dos animais marinhos em todo o mundo. Dentre elas, a Alianima, organização brasileira de proteção animal e ambiental que vem trabalhando na implementação de melhores práticas de bem-estar animal nas cadeias de produção de ovos, carne suína, carne de frango e peixes desde 2019 no Brasil.
“Esse relatório global reforça a atual agenda de bem-estar de peixes que estamos defendendo no Brasil. Trata-se de um assunto ainda incipiente, mas que vem ganhando cada vez mais relevância mundial. A proposta é elaborar legislações e normas que permitam a adoção de padrões para a melhoria da saúde e bem-estar dos animais aquáticos, inclusive de peixes de criação e uso de agentes antimicrobianos em animais aquáticos”, diz Patrycia Sato, diretora técnica da Alianima.
Com a expectativa de aumento da demanda por frutos do mar nos próximos anos, mais a pressão gerada pela pesca predatória, mudanças climáticas e métodos de produção não sustentáveis serão implantados nos nossos frágeis ecossistemas, prejudicando as pessoas e os animais que dependem deles.
“Um intenso sistema de produção de alimentos combinado com baixo nível de bem-estar animal tem como resultado um sistema imunológico mais fraco entre os animais, o que aumenta a incidência de doenças e a necessidade do uso de antibióticos. Esse ciclo afeta o meio ambiente e seus ecossistemas, reduzindo a eficiência de recursos e produtividade – o oposto da sustentabilidade“, afirma Christine Xu, Diretora de Iniciativas Estratégicas da Aquatic Life Institute.
“Precisamos de uma mudança urgente no nosso discurso de desenvolvimento sustentável. Ou seja, precisamos começar a enxergar com igual importância os animais aquáticos em relação aos animais terrestres e, para isso, precisamos levar o bem-estar dos animais aquáticos em consideração se quisermos alcançar uma aquicultura, pesca e sistemas alimentares mais sustentáveis“, acrescenta Xu.
O relatório foi submetido ao Comitê de Pesca da FAO das Nações Unidas (COFI), exigindo mais diálogo e consideração a essas prioridades à medida que revisam suas Diretrizes sobre Aquicultura Sustentável, que deverão dar o tom do desenvolvimento da aquicultura nas próximas décadas.
“É nosso objetivo mostrar que considerações sobre o bem-estar animal têm relação direta com as questões éticas, ambientais e sociais, devendo integrar as próximas políticas de desenvolvimento sustentável“, comenta William Benche, Fundador da ALI.
“Essas recomendações oferecem uma grande estrutura para a implementação de significativas práticas de bem-estar para que os animais aquáticos tenham uma vida que valha a pena ser vivida, dentro do contexto de desenvolvimento global, promovendo métricas adaptáveis para a aquicultura e pesca, assegurando o desenvolvimento sustentável e humano”, concluiu Bench.
Signatários
- Aquatic Life Institute
- A Plastic Ocean Foundation
- Advocating Wild
- Alianima
- Anima International
- Animal Friends Jogja
- Animal Rights Center Japan
- Asociación para el rescate y bienestar de los animales (Arba)
- Catholic Concern for Animals
- Change For Animals Foundation
- Coalition of African Animal Welfare Organizations
- Compassion in World Farming
- Conservative Animal Welfare Foundation
- Crustacean Compassion
- Equalia
- Essere Animali
- Fish Welfare Initiative
- Fundación Vegetarianos Hoy
- Green REV Institute
- Humane Society International
- Institute of Animal Law of Asia
- Montreal SPCA
- NY4Whales
- One Voice
- Ocean Conservation Namibia
- Plataforma ALTO
- Protección Animal Ecuador
- SCORPION Foundation Indonesia
- Sea Beyond Me
- Sinergia Animal
- Sharklife Conservation Group
- The Humane League
- Voters For Animal Rights
- Voices for Animals
Sobre a Aquatic Life Institute
O objetivo geral do ALI é agilizar, apoiar e dirigir o movimento emergente do bem-estar dos animais aquáticos, realizando pesquisas e com foco nas práticas de bem-estar com maior impacto benéfico a vida de todos esses animais.
Site oficial: https://ali.fish/
Sobre a Alianima
A Alianima é uma organização de proteção animal e ambiental que atua para reduzir o sofrimento de animais impactados pela ação humana e refrear a degradação dos ecossistemas brasileiros, adotando uma perspectiva não-antropocêntrica e embasamento técnico-científico para compor suas ações.
Site oficial: https://alianima.org
Crédito:
Imprensa | Aquatic Life Institute & Alianima