Saneamento, de bem com a vida #3: “Águas de março no saneamento”

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Álvaro Costa é engenheiro civil e consultor. Escreve como Colunista do editorial AMBIENTAL MERCANTIL ÁGUAS E SANEAMENTO
Álvaro Costa é engenheiro civil e consultor. Escreve como Colunista do editorial AMBIENTAL MERCANTIL ÁGUAS E SANEAMENTO

Imagem: Divulgação #3 | Álvaro José Menezes da Costa é Engenheiro Civil, MSc em Recursos Hídricos e Saneamento, CP3P. Sua coluna “Saneamento, de bem com a vida” aborda temas atuais e de importância para o setor de Águas e Saneamento, contribuindo com visão crítica e experiência profissional para nosso editorial AMBIENTAL MERCANTIL ÁGUAS E SANEAMENTO

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Março de 2023 – As águas de março são conhecidas por fecharem o verão como dito no clássico musical de Tom Jobim, mas também por serem cada vez mais protagonistas de fortes inundações em muitas cidades. Este ano, as expectativas reais de mudanças no marco regulatório de saneamento dão ao mês de março mais um motivo para ser lembrado, neste caso, pela possibilidade de encerrar um novo ciclo ou renová-lo com base em efetiva busca de mudanças positivas no setor de saneamento.

Muito tem se falado em retrocesso devido aos sinais e comentários divulgados sobre a possibilidade de retorno a estados anteriores, principalmente com a redução de oportunidades para o setor privado participar da gestão de serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário.

De fato, a eterna polêmica entre operadores públicos e privados foi turbinada pelo novo marco, porque a premissa básica que o construiu se pautou por um discurso que nivelava todas as companhias estaduais de saneamento e serviços municipais como 100% ineficientes.

Sem dúvidas, os indicadores de desempenho recentemente divulgados pelo Trata Brasil, mostram quase que os mesmos números de 20 anos atrás, confirmando que algo precisava mudar há anos, principalmente no lado dos operadores públicos que dominam o mercado, em geral fugindo de concorrência e pautados por práticas corporativistas autopredatórias.

Talvez não seja prudente antecipar que as mudanças que virão, apenas porque vão alterar o que era estabelecido no festejado novo marco regulatório, venham a prejudicar as expectativas de mudança que o marco realmente trouxe.

Salvo engano, é inegável hoje a visão de governos municipais e alguns estaduais, sobre a possibilidade de melhorar e ter soluções para o serviço de saneamento com a participação do setor privado, seja por PPP ou concessões comuns plenas.

Resgatar uma situação que garanta às companhias estaduais de saneamento a manutenção de contratos sem confirmação efetiva de que serão capazes de atender, com serviços de qualidade e cumprimento de metas, as necessidades de grande parte da população nacional, além de retrocesso é condenar municípios a viver de expectativas eternas.

Talvez, como os indicadores do Trata Brasil repetem ano a ano, uma mudança muito mais de comportamento que no marco regulatório passaria por entender que a regionalização não deve ter em mente a imposição de modelos que sejam atrativos para grandes grupos privados ou de investidores ou que sem fiscalização e regulação competente, a sociedade poderá seguir sem bons serviços seja o operador privado ou público.

O setor de saneamento, não pode ser pautado pelo conceito equivocado de que o sucesso se mede pelo “apetite do mercado” espelhado em outorgas inexplicadas.

A experiência da participação do setor privado desde 1995, mostra muito mais casos de sucesso, sem outorgas, que insucessos. De outro lado também, nem só de ineficiência vivem as operadoras estaduais e municipais, porém as ineficientes em maioria por município, são arriscadamente protegidas por visões políticas, ideológicas e corporativistas.

Fechando este verão, as águas de março precisam lavar preconceitos e trazer para o setor de saneamento inovação e maior atenção à melhoria dos serviços de saneamento. Gerar mercados ou proteger operadoras sem foco na sociedade, talvez seja mudar para deixar como estar.

Sobre o Colunista

Álvaro José Menezes da Costa é Engenheiro Civil, MSc em Recursos Hídricos e Saneamento, CP3P. Especialista em Aproveitamento de Recursos Hídricos e Avaliação e Perícias de Engenharia; é autor de livro e capítulos de livros publicados sobre Gestão de Serviços e Reúso de Águas.

Foto: Álvaro José Menezes da Costa é Engenheiro Civil, MSc em Recursos Hídricos e Saneamento, CP3P

Desde 1985 é membro da ABES- Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental, e desde 2008 atua como diretor nacional.

Em 2015 fundou a AMEC – Álvaro Menezes Engenharia e Consultoria, desenvolvendo estudos de modelagem para contratos de PPP, concessão, performance para redução de perdas, engenheiro independente, coordenador e instrutor em cursos de capacitação em regulação e PPP. Contato via LinkedIn.

Site oficial: https://www.amecengenhariaeconsultoria.com.br

Álvaro Costa é colunista e colaborador do editorial AMBIENTAL MERCANTIL ÁGUAS E SANEAMENTO. Através da sua observação pessoal, escreve periodicamente sobre o que acontece nos setores de gestão de águas e efluentes, recursos hídricos e saneamento básico. Todas as publicações de sua coluna podem ser acessadas neste link exclusivo:

Informamos que os conteúdos publicados pelos nossos colunistas são observações e opiniões independentes que expressam suas reflexões e experiências, sendo de responsabilidade dos mesmos; não refletindo, necessariamente, a opinião da redação do nosso editorial.

Crédito:
AMBIENTAL MERCANTIL ÁGUAS E SANEAMENTO | Por Álvaro Costa, colunista e colaborador

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