Imagem: Divulgação | Por Wilson Miguel
Dezembro de 2024 – A estiagem de 2024 foi reconhecida pelo governo brasileiro como a pior da história. De acordo com o levantamento Monitor do Fogo, do MapBiomas, entre janeiro a setembro deste ano, o Brasil teve mais de 22 milhões de hectares queimados pelos focos de incêndio que avançaram por todo o país, aumento de 150% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O cenário foi definido como uma verdadeira catástrofe ambiental. Do ponto de vista dos prejuízos para a fauna brasileira, além daqueles que perderam a vida, os animais que sobreviveram ficaram sem habitat e sem comida. Até que toda a vegetação seja recuperada pode levar anos, então não é somente o dano imediato das queimadas, mas os impactos negativos à biodiversidade que vão se estender a longo prazo.
Como forma de prevenção, as passagens de fauna, estruturas projetadas para permitir que animais cruzem estradas ou áreas que sofreram intervenções humanas, podem colaborar para a mitigação dos efeitos dos incêndios florestais. Esses corredores ecológicos são fundamentais para a sobrevivência da fauna, especialmente em regiões propensas a queimadas.
Além das pontes de dossel, presentes em algumas rodovias do país e que ajudam a prevenir atropelamentos — uma das principais causas de mortalidade entre espécies — as passagens subterrâneas podem servir como rotas de fugas para os animais em caso de queimadas na vegetação, contribuindo para a conservação da fauna silvestre e mantendo a conectividade entre habitats.
Além de facilitar o deslocamento, promover a diversidade genética e aumentar a resiliência das espécies, outra vantagem dos túneis e pontes ecológicas — visíveis e seguros aos animais — é a captação de dados importantes para futuras iniciativas de conservação a partir do monitoramento das estruturas por câmeras que registram a passagem de diversas espécies, incluindo as ameaçadas de extinção.
Em resumo, a implementação eficaz das passagens de fauna é uma estratégia importante em planos de manejo de áreas florestais, especialmente em regiões suscetíveis a incêndios. A implementação efetiva dessas passagens é um passo fundamental para garantir um futuro mais seguro tanto para os animais quanto para toda a vida humana.
Sobre o autor
Wilson Miguel, gestor de projetos do Grupo Eco & Eco. Reconhecida no mercado como uma empresa pioneira em desenvolver projetos e implantar estruturas inovadoras em áreas ambientais, a empresa atua há quase 25 anos e conta com mais de 200 projetos implantados por todo Brasil. O Grupo Eco & Eco trabalha em 7 segmentos sustentáveis e no de Ecologia de Estradas, oferece diferentes tipos de passagem de fauna suspensas e terrestres com eficiência comprovada por monitoramento e sugeridas de acordo com as espécies que precisam ser atendidas, pelo recurso a ser investido e a partir de análise detalhada do local.
Site oficial: https://www.grupoecoeco.com.br/home
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