Imagem: Divulgação | Por Simone Horvatin, jornalista e fundadora da plataforma Ambiental Mercantil Notícias
Dezembro de 2024 – Mais um ano que se encerra, com um misto de preocupação e esperança. As decisões que tomamos hoje determinarão não apenas nosso futuro imediato, mas o destino das gerações vindouras. O ano de 2024 nos mostrou sobre a urgência do planeta. Dados alarmantes sobre as mudanças climáticas, eventos extremos ao redor do mundo e negociações internacionais marcaram 2024 como um ano crítico na luta contra a emergência climática. A COP29, por exemplo, já começou com o alerta de que este ano deverá ser o mais quente já registrado, segundo a Organização Meteorológica Mundial, que calculou uma temperatura média global de 1,54°C acima da média pré-industrial. Paralelamente, o degelo recorde no Ártico e na Antártida contribuiu para o aumento do nível do mar, enquanto incêndios florestais e secas severas atingiram diversos ecossistemas e continentes. Em setembro de 2024, o UNICEF divulgou um estudo sobre o impacto das mudanças climáticas em crianças e adolescentes, sendo um dos temas mais alarmantes o impacto geracional dessas mudanças. A pesquisa apontou que 33 milhões de crianças enfrentam pelo menos o dobro de dias extremamente quentes a cada ano em comparação com seus avós, enfatizando a importância de medidas climáticas mais rígidas para nossas cidades.
O Relatório de Riscos Globais do Fórum Econômico Mundial não apenas destacou os riscos ambientais como predominantes, mas também nos alertou sobre sua interconexão com praticamente todos os aspectos de nossa sociedade. O ano de 2023 foi o mais quente já registrado, com eventos climáticos extremos devastando vidas e meios de subsistência em todo o mundo. As mudanças climáticas, a perda de biodiversidade e a poluição formam uma tripla crise planetária que ameaça o futuro da humanidade.
A realidade das mudanças climáticas deixou de ser uma previsão distante para se tornar nossa vivência diária.
Comunidades costeiras enfrentam a elevação dos níveis dos mares, agricultores lutam contra padrões climáticos cada vez mais imprevisíveis, e centros urbanos adaptam-se a ondas de calor sem precedentes. Cada evento extremo nos lembra que não estamos apenas observando mudanças climáticas – estamos vivendo em meio a uma crise climática em pleno desenvolvimento.
No dia 2 de agosto, a humanidade utilizou o orçamento ambiental do planeta para todo o ano, de acordo com a Global Footprint Network, uma organização internacional de pesquisa pioneira na contabilização de nossa Pegada Ecológica. O sequestro de carbono representa 60% da demanda dos seres humanos pelos recursos naturais do planeta. Podemos afirmar que nossa relação com os recursos naturais atingiu um ponto crítico. A projeção de um aumento de 60% na extração de recursos até 2060 não é apenas um número – é um alerta vermelho para nossa sobrevivência. Cada hectare de floresta perdido, cada espécie que desaparece, representa uma fratura em nossa teia da vida que pode nunca ser reparada.
A humanidade está exaurindo a natureza 1,7 vezes mais rápido do que os ecossistemas conseguem se regenerar. É como se estivéssemos utilizando o equivalente a 1,7 Terras.
A biodiversidade, nossa rede de segurança biológica, está se deteriorando a um ritmo alarmante. Não estamos apenas perdendo espécies; estamos comprometendo os próprios sistemas que sustentam nossa existência – desde a polinização de nossas culturas até a purificação do ar que respiramos.
O ano de 2024 consolidou-se como um dos mais quentes já registrados, seguindo a tendência de 2023. Os oceanos atingiram temperaturas recordes, com o fenômeno El Niño intensificando seus impactos globais. Eventos climáticos extremos marcaram o ano:
- Ondas de calor sem precedentes em várias regiões do globo.
- Secas severas afetando a produção agrícola em múltiplos continentes.
- Intensificação de eventos climáticos extremos, incluindo ciclones e tempestades tropicais.
- Derretimento acelerado das geleiras e do gelo marinho ártico.
2024 foi um ano de contrastes: enquanto testemunhamos impactos crescentes das mudanças climáticas, também vimos avanços significativos em políticas ambientais e tecnologias sustentáveis. O ano reforçou a urgência da ação climática global e a necessidade de transformações mais profundas em nossos sistemas econômicos e sociais. Apesar dos avanços, diversos desafios permaneceram:
- Contínuo desmatamento em regiões críticas.
- Aumento das emissões globais de gases de efeito estufa.
- Poluição oceânica e problemas com microplásticos.
- Resistência de alguns setores à transição para práticas sustentáveis.
Em 2024, testemunhamos como a desinformação pode corroer os alicerces de nossas sociedades democráticas. A proliferação de notícias falsas não é apenas um problema de comunicação – é uma ameaça à nossa capacidade de enfrentar coletivamente os desafios que temos pela frente.
Os conflitos globais e as tensões geopolíticas continuam a drenar recursos preciosos que poderiam ser direcionados para a transição ecológica e a justiça social. A desigualdade econômica crescente não é apenas uma questão de números em planilhas – é um drama humano que se desenrola diariamente nas periferias de nossas cidades e nos rincões mais remotos de nosso país.
O momento exige mais do que palavras – exige ações transformadoras em todas as camadas da sociedade:
Ações Individuais
- Adotar novos padrões de consumo, reconhecer que cada escolha de compra é um voto pelo tipo de mundo que queremos construir.
- Se auto-educar e também compartilhar valores e conhecimentos às nossas comunidades, seja sobre a importância da preservação ambiental, seja sobre a sustentabilidade.
- Participar ativamente das decisões políticas que afetam nosso ambiente e determinam nosso futuro.
Ações Empresariais
- As empresas devem abraçar genuinamente a responsabilidade ambiental, não como estratégia de marketing, mas como fundamento de seus modelos de negócio.
- Investimentos em tecnologias limpas e práticas sustentáveis precisam ser acelerados.
- A transparência e a prestação de contas devem ser princípios inegociáveis.
- Valores socioambientais devem fazer parte da cultura empresarial.
Ações Governamentais
- As políticas públicas devem ser robustas e consequentes, para a proteção ambiental e o combate às mudanças climáticas , pois são essenciais
- O cumprimento dos acordos internacionais, como o Acordo de Paris e o Quadro de Biodiversidade de Kunming-Montreal, deve ser prioridade.
- Investimentos em infraestrutura e tecnologias mais sustentáveis precisam ser ampliados.
Apesar da gravidade dos desafios que enfrentamos, não podemos perder as esperanças nas novas gerações, que possuem maior consciência ambiental. Devemos estar atentos nos avanços tecnológicos que podem ajudar a reconciliar progresso e a sustentabilidade.
Como disse Kirsten Schuijt, diretor geral da organização WWF “Ao trabalharmos todos em conjunto para melhor proteger e gerir os recursos da Terra, podemos mudar a maré da perda da natureza. Esta não é apenas uma possibilidade – é nossa única opção viável”.
Ao encerrarmos 2024, devemos renovar o compromisso com o planeta e com as futuras gerações. Não podemos mais adiar as mudanças necessárias. O tempo de agir é agora, e cada um de nós tem um papel fundamental nesta transformação.
Nós, da AMBIENTAL MERCANTIL NOTÍCIAS, agradecemos aos nossos usuários, leitores e seguidores nas redes sociais por nos acompanharem e apoiarem ao longo deste ano. Nosso sincero agradecimento também vai aos colunistas que, de forma voluntária, compartilham opiniões, perspectivas de mercado e conhecimentos. E, especialmente, aos nossos anunciantes, que confiam no nosso trabalho e nos apoiam! Juntos, continuaremos fazendo a diferença em 2025!
Referências
[1] Fórum Econômico Mundial – Relatório de Riscos Globais 2024
[2] ONU – Panorama Global de Recursos 2024
[3] WWF Internacional – Relatórios Ambientais 2024
[4] ONU – Relatório Anual das Nações Unidas 2024
[5] Human Rights Watch – Relatório Mundial 2024
[6] UNICEF – Retrospectiva Climática 2024