Ocorrência e Impactos de Resíduos Plásticos em Recifes de Corais

Eduardo Videla e Jean-Michael Cousteau na na República de Fiji – Melanésia.

Por Eduardo da Silva Videla, Doutor em Biologia Marinha e Ambientes Costeiros pela Universidade Federal Fluminense Foto: Eduardo da Silva Videla e Jean-Michael Cousteau – Arquivo Pessoal

Os recifes de corais são ecossistemas únicos que apresentam grande produtividade e biodiversidade. Embora representem apenas 1% da área total dos oceanos, concentram mais da metade das espécies conhecidas de peixes marinhos.

Durante um estudo com recifes de corais na República de Fiji – Melanésia, junto à equipe de Jean-Michael Cousteau, pude verificar a riqueza desses ambientes, uma vez que inúmeras espécies encontram nesses ecossistemas abrigo, proteção, alimentação e condições ideais para reprodução.

Chiappone et al., 2002 analisaram a ocorrência de equipamentos de pesca e outros resíduos, assim como os impactos biológicos sobre os recifes de corais de Florida Keys. A maioria dos resíduos era composta por linhas de pesca de nylon.

Um estudo conduzido por Abu-Hilal e Al-Najjar (2009) nas áreas de recifes de corais ao longo do Golfo de Jordão – Aqaba – Mar Vermelho, identificou os plásticos como os resíduos mais presentes nesses ecossistemas.

De um total de 10.506 itens coletados entre agosto de 2003 e fevereiro de 2004, 42% foram plásticos, seguidos de materiais de pesca abandonados (31%) e metais (17%).

Outro estudo realizado pelos pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco, também em 2009, investigou os resíduos sólidos bentônicos (fundo marinho) em ambientes recifais da costa de Pernambuco. De um total de 11.261 itens, a grande maioria era representada por plásticos.

Angiolillo et al., 2015 avaliaram a distribuição dos resíduos sólidos nos recifes de corais no Mar Tirreno, Noroeste do Mar mediterrâneo – Itália. Os resultados mostraram que 89% de todos os resíduos encontrados foram equipamentos de pesca, especialmente linhas.

Edward et al., 2020 pesquisaram a ocorrência de resíduos sólidos nas áreas de recifes de corais do Golfo de Mannar, Sudeste da Índia entre fevereiro de 2018 e março de 2019, cobrindo uma área de recifes de 1.152 m2. A grande maioria dos resíduos era constituída por redes de pesca abandonadas.

Esses estudos demonstram que os resíduos sólidos estão presentes nesses ambientes, ocasionando graves impactos sobre as espécies e suas interações ecológicas.

Diante desse cenário, ações que visem a redução da geração, a destinação final adequada e o implemento de políticas públicas direcionadas para o gerenciamento de resíduos são primordiais para minimizar a poluição marinha hoje observada.

Em Fiji pude mergulhar em vários locais, inclusive em um abismo de mais de 2.500 metros de profundidade conhecido como “The Wall”, uma experiência fantástica que serviu como norteador para meu trabalho sobre preservação dos oceanos e, anos mais tarde, sobre poluição marinha.

O povo Fijiano tem uma relação direta com seus recursos oceânicos, realizando esforços para preservá-lo. Esse é um ótimo exemplo para seguirmos, considerando a relevância, biodiversidade e beleza desses ecossistemas ao longo do litoral brasileiro.

Impressões

Eduardo da Silva Videla, Arquivo Pessoal
Eduardo da Silva Videla, Arquivo Pessoal
Eduardo da Silva Videla, Arquivo Pessoal
Eduardo da Silva Videla, Arquivo Pessoal
Eduardo da Silva Videla, Arquivo Pessoal

Locais dos mergulhos realizados na República de Fiji – Melanésia:

  • Big Blue Reef
  • Fingers Reef
  • Golden Nuggets
  • Grotto Reef
  • Hole in the Wall
  • Jackson’s Reef
  • Light House
  • Mystery Reef – Day and Night Dive
  • Namenalala Island – Vanua Levu – The Wall
  • Nasonisoni Island Reef
  • North Save Attack Passage
  • Shark Alley – Vomo Island
  • Toes Reef

Sobre o Autor:

Eduardo da Silva Videla, Doutor em Biologia Marinha e Ambientes Costeiros pela UFF

Professor de Graduação e Pós-graduações: Universidade Salgado de Oliveira – Universo (Niterói – RJ) e Centro Universitário Gama e Souza (Rio de Janeiro – RJ). Pós-Doutorando em Estudos Marítimos na Escola de Guerra Naval.  Doutor em Biologia Marinha e Ambientes Costeiros pela Universidade Federal Fluminense. Graduação em Ciências Biológicas pelo Centro Universitário da Cidade e Mestre em Ciência Ambiental pela Universidade Federal Fluminense. Técnico em Segurança do Trabalho pela Escola Técnica Professor Everardo Passos, Mergulhador Profissional pela Marinha do Brasil, Fotógrafo e cinegrafista submarino pela Professional Association of Diving Instructors – PADI.

Experiência nas áreas de Exploração e Produção de Petróleo em unidades offshore e onshore nos segmentos de perfuração, produção, logística, fabricação de umbilicais, lançamento de linhas, mergulho e robótica submarinha com ênfase em GESTÃO AMBIENTAL e Sistemas de Gestão Integrada em Segurança, Saúde e Meio Ambiente. Foi Coordenador do departamento de segurança, saúde e meio ambiente de empresa multinacional de petróleo, respondendo por um navio FPSO. Atuando principalmente na Bacia de Campos e de Santos – Pré-Sal. Consultor para as áreas de segurança, saúde e meio ambiente.

Link para curriculum lattes: http://lattes.cnpq.br/8364824638971416
Link para LinkedIn: www.linkedin.com/in/eduardo-videla-68772a22
Instagram: @eduardovidela2021
e-mail: cousteau70@hotmail.com

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Crédito:
Ambiental Mercantil | Opinião de Especialista

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