Gestão de Resíduos em Unidades Marítimas de Exploração e Produção Petrolíferas

Por Eduardo da Silva Videla, Doutor em Biologia Marinha e Ambientes Costeiros pela Universidade Federal Fluminense Foto: Eduardo da Silva Videla – Arquivo Pessoal

As atividades marítimas de exploração e prospecção de petróleo realizadas ao longo da costa jurisdicional brasileira representam na atualidade um dos pilares da estrutura política e econômica de nosso país, propiciando sua ascensão no cenário internacional e ratificando a autossuficiência energética.

As estimativas produtivas das reservas fomentaram, ao longo das últimas décadas, altos investimentos estrangeiros, transformando significativamente as relações sociais e ambientais, especialmente nas regiões onde houve a necessidade da ampliação da infraestrutura de centros urbanos e polos industriais.

A necessidade de um adequado gerenciamento de resíduos sólidos em unidades offshore não se justifica somente pela questão do volume gerado ou do atendimento à normatização ambiental, mas também em função dos riscos apresentados quando da manipulação dos resíduos.

Nesse contexto, o acondicionamento dos resíduos é uma das etapas mais importantes de um sistema de gestão de resíduos, possibilitando a segregação correta e a manipulação mais segura.

A conduta de acondicionamento dentro das padronizações recomendadas possibilita a prevenção de possíveis acidentes, a minimização do impacto visual dos resíduos, a redução da mistura na segregação e a eliminação da ocorrência de vetores.

Foto: Eduardo da Silva Videla – Arquivo Pessoal

Dentre as práticas para acondicionamento de resíduos sólidos em unidades marítimas são usuais:

  • Bombonas de 200 litros para acondicionamento de resíduos e/ou efluentes não corrosivos;
  • Tambores metálicos de 200 litros para acondicionamento de resíduos e/ou efluentes corrosivos;

Big-bags de plástico (grandes sacolas) de polipropileno trançado, com grande capacidade de acondicionamento, que são utilizados para

A coleta de resíduos em unidades marítimas é programada de acordo com as estimativas previstas de volumes gerados, observando-se as operações em andamento e, consequentemente o número de população a bordo. Notadamente há, portanto, uma relação direta entre a capacidade máxima operacional e a periodicidade mínima para coleta. Quanto maior o POB (people on board) menor deverá ser o tempo estimado para coleta dos resíduos.

Em unidades terrestres, coletas de resíduos ocorrem diretamente do gerador para o receptor, via um transportador, na grande maioria dos casos. Em unidades marítimas estas coletas chamam-se transferências, que podem ocorrer em duas ou mais etapas, pois dependem de diferentes transportadores até que chegarem às áreas de armazenamento ou à destinação final.

Os primeiros transportadores são as embarcações de apoio, que realizam a transferência dos resíduos sólidos e efluentes das unidades marítimas aos portos de apoio logístico. A partir do porto, os resíduos são transportados por caminhões até uma central de triagem ou, de acordo com o sistema de gerenciamento de cada empresa geradora do resíduo, aos locais de destinação final.

Foto: Eduardo da Silva Videla – Arquivo Pessoal

Os resíduos sólidos são transferidos para as embarcações de apoio dentro de grandes sacolas, designadas “big bags”. As operações de transferência dos resíduos sólidos são priorizadas no cronograma diário de atividades, levando-se sempre em consideração o volume acondicionado e a classificação dos resíduos. Os bags de resíduos ficam normalmente armazenados no deck principal da unidade marítima, sendo identificados e fechados, buscando minimizar os efeitos negativos de possível mistura de resíduos, o que afeta diretamente a transferência e consequentemente o recebimento dos materiais em terra.

As equipes do convés são as responsáveis pela organização dos bags e respectivamente por sua transferência para as embarcações de apoio. Assim, é imprescindível nesta etapa a correta manipulação dos resíduos, sendo necessário conhecimento técnico por parte do pessoal envolvido.

O gerenciamento de resíduos em uma unidade marítima é bem mais complexo do que seu correspondente em terra, dependendo de vários elementos externos, ou seja, é preciso que haja uma logística muito bem definida, com procedimentos que contemplem todas as variáveis, positivas e negativas, uma vez que solicitar um barco de apoio é muito diferente do que solicitar um caminhão de coleta. Espaços físicos limitados e regimes de trabalho em confinamento acentuam as dificuldades, sendo necessário um sistema de gestão específico.

Uma grande dificuldade observada em relação à operacionalidade no gerenciamento dos resíduos sólidos em unidades marítimas é a rotatividade dos homens de área (roustabout). Os mais experientes e que já dominam toda a técnica para a coleta, segregação e acondicionamento são promovidos, deixando a cargo dos novatos a tarefa da continuidade da operação do sistema.

Face às peculiaridades das atividades de exploração e produção petrolíferas offshore, o gerenciamento de resíduos representa uma ferramenta estratégica, contribuindo para o alcance da excelência nessas atividades e para a mitigação dos possíveis impactos pela poluição nos ambientes marinhos.

Sobre o Autor:

Eduardo da Silva Videla, Doutor em Biologia Marinha e Ambientes Costeiros
pela Universidade Federal Fluminense

Professor de Graduação e Pós-graduações: Universidade Salgado de Oliveira – Universo (Niterói – RJ) e Centro Universitário Gama e Souza (Rio de Janeiro – RJ). Pós-Doutorando em Estudos Marítimos na Escola de Guerra Naval.  Doutor em Biologia Marinha e Ambientes Costeiros pela Universidade Federal Fluminense. Graduação em Ciências Biológicas pelo Centro Universitário da Cidade e Mestre em Ciência Ambiental pela Universidade Federal Fluminense. Técnico em Segurança do Trabalho pela Escola Técnica Professor Everardo Passos, Mergulhador Profissional pela Marinha do Brasil, Fotógrafo e cinegrafista submarino pela Professional Association of Diving Instructors – PADI.

Experiência nas áreas de Exploração e Produção de Petróleo em unidades offshore e onshore nos segmentos de perfuração, produção, logística, fabricação de umbilicais, lançamento de linhas, mergulho e robótica submarinha com ênfase em GESTÃO AMBIENTAL e Sistemas de Gestão Integrada em Segurança, Saúde e Meio Ambiente. Foi Coordenador do departamento de segurança, saúde e meio ambiente de empresa multinacional de petróleo, respondendo por um navio FPSO. Atuando principalmente na Bacia de Campos e de Santos – Pré-Sal. Consultor para as áreas de segurança, saúde e meio ambiente.

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Crédito:
Ambiental Mercantil | Opinião de Especialista

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