Instituto Senai de Tecnologia em Meio Ambiente e Química desenvolve alternativa sustentável com resíduos do caroço de azeitona

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Foto: O biochar, feito por meio do caroço de azeitona, atende ao conceito de bioeconomia podendo ser utilizado para diferentes fins.
Foto: O biochar, feito por meio do caroço de azeitona, atende ao conceito de bioeconomia podendo ser utilizado para diferentes fins.

Imagem: Divulgação | O biochar, feito por meio do caroço de azeitona, atende ao conceito de bioeconomia podendo ser utilizado para diferentes fins

  • Fotos: Fabiana Martins da Silveira AnnunziatoMaterial produzido e apresentado no 6º Seminário Paranaense de Logística Reversa 2023
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Fevereiro de 2024 – Por meio da bioeconomia, baseada no uso sustentável e na valorização dos recursos biológicos, como plantas, animais, resíduos orgânicos e microrganismos, o Instituto Senai de Tecnologia (IST) em Meio Ambiente e Química do Paraná desenvolve soluções que contribuem com o uso eficiente dos recursos naturais, com a redução do desperdício, com a conservação da biodiversidade e, também, com a mitigação das mudanças climáticas.

De acordo com a Associação Brasileira de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), cada brasileiro produz, em média, 343 quilos de lixo por ano, o que representa cerca de 80 milhões de toneladas de resíduos. O dado é assustador, onde o mais alarmante é que apenas 4% desse volume é reciclado ou reaproveitado.

Por conta das emergências ambientais, a demanda por produtos mais sustentáveis, a necessidade da logística reversa e a responsabilidade pelo ciclo de vida dos produtos oriundos da produção industrial tem aumentado cada vez mais. E foi pensando nessa demanda que o IST em Meio Ambiente e Química está desenvolvendo soluções bioeconomicas para estes processos. Um deles é a produção de biocarvão, também conhecido como biochar, que é um produto obtido pela carbonização de materiais de origem vegetal ou animal. Neste projeto que está em andamento, os pesquisadores estão usando caroços de azeitona como matéria-prima.

Prevenindo danos ambientais

De acordo com Fabiana Martins da Silveira Annunziato, bolsista de PDI do Instituto, a indústria azeitoneira é um mercado em expansão que traz como resíduos do seu processo sólidos e líquidos, como os caroços, o bagaço, a água de lavagem das azeitonas, entre outros subprodutos que devem ser tratados ou reaproveitados para prevenir danos ambientais devido ao mau direcionamento.

“Esses resíduos têm um alto potencial poluente, uma vez que possuem uma grande carga orgânica DBO (Demanda Biológica de Oxigênio) e outras substâncias que podem gerar problemas ambientais poluindo águas e solos, devido ao seu grande conteúdo de fenólicos, lipídios e ácidos orgânicos”, explica.

No entanto, segundo a pesquisadora, estes resíduos possuem um excelente potencial para serem reaproveitados para a produção de biochar, biogás, biofertilizantes, ração animal, entre outros produtos. 

“Esse aproveitamento, além de trazer uma gestão sustentável dos resíduos do processo, podem agregar como mais um produto, trazendo o conceito de bioeconomia para o processo produtivo”.

Como é feito o biochar?

O biochar é feito por meio da carbonização, que é um processo de aquecimento sem a presença de oxigênio, transformando a matéria orgânica em carvão. Durante a carbonização dos caroços de azeitona, são gerados gases e líquidos que podem ser utilizados como fontes de energia ou convertidos em outros produtos.

Onde o biochar pode ser utilizado?

O biochar pode ser utilizado para uma variedade de fins. Além de possuir características semelhantes ao carvão ativado (remoção de contaminantes da água) e ser um condicionador de solo, ele também pode auxiliar no sequestro de carbono: Ao adicionar biochar ao solo, o carbono presente na biomassa é fixado e armazenado a longo prazo.

Isso ajuda a reduzir a quantidade de dióxido de carbono (CO2 ) na atmosfera, contribuindo para mitigar as mudanças climáticas. Também pode ser usado para filtrar poluentes atmosféricos, como metais pesados e substâncias químicas, além da produção de energia (biocombustível para gerar eletricidade ou calor). Sua queima libera menos poluentes do que a queima de carvão mineral.

Também pode ser utilizado na agricultura como meio de cultivo para microrganismos benéficos do solo, auxiliando no controle de doenças e pragas e ainda, como matéria-prima na produção de diversos materiais, como tijolos e cerâmicas.

O potencial da bioeconomia

Segundo dados da Associação Brasileira de Bioinovação (ABBI), o setor de biotecnologia industrial – um dos segmentos da bioeconomia – pode agregar, nos próximos 20 anos, aproximadamente US$ 53 bilhões anuais à economia brasileira e cerca de 217 mil novos postos de trabalhos qualificados.

“A bioeconomia possui um papel essencial na indústria, sendo fundamental na promoção um modelo de desenvolvimento econômico mais sustentável e ecologicamente responsável”, acrescenta a pesquisadora.

A profissional ressalta que é importante utilizar o resíduo de maneira adequada, levando em consideração fatores como a qualidade do biochar, a dose aplicada e as características do solo. Além disso, mais pesquisas são necessárias para entender completamente seus efeitos e potenciais impactos ambientais.

Embora este projeto na área de bioeconomia e sustentabilidade ainda esteja em andamento, a pesquisadora ressalta: “Este tipo de projeto é ainda mais importante diante dos desafios globais, como a escassez dos recursos naturais, a degradação do meio ambiente e as mudanças climáticas. Desta forma, o Instituto Senai de Tecnologia em Meio Ambiente e Química busca auxiliar as indústrias a incorporarem cada vez mais esses conceitos em suas práticas e processos, adotando modelos de produção sustentáveis para garantir não apenas sua própria sobrevivência, mas também a do planeta como um todo”.

Site oficial: https://www.senaipr.org.br/tecnologiaeinovacao/

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