Hidrogênio Verde e Mercado de Carbono #5: “Qual será o papel do Brasil no mercado global de Hidrogênio Verde?”

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Frederico Freitas é Engenheiro Eletricista, PMP® PMI® (USA) e PM4R® pelo BID, e escreve periodicamente como colunista para o canal AMBIENTAL MERCANTIL.
Frederico Freitas é Engenheiro Eletricista, PMP® PMI® (USA) e PM4R® pelo BID, e escreve periodicamente como colunista para o canal AMBIENTAL MERCANTIL.

Imagem: Divulgação | Por Frederico Freitas é Engenheiro Eletricista e Co-fundador da INFOREDES Energy Transition Projects. Colabora periodicamente com artigos na coluna, para AMBIENTAL MERCANTIL NOTÍCIAS

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Julho de 2023 – Em todo mundo, grandes projetos para produção de Hidrogênio Verde são anunciados, ações governamentais concedendo inúmeros benefícios fiscais e tributários para consolidação desta nova economia e empresas envolvidas na cadeira produtiva de hidrogênio dominando avanços tecnológicos que buscam reduzir o custo de produção deste vetor energético. No Brasil, temos diversos MoU´s assinados, mas ainda estamos em um estágio embrionário no do desenvolvimento dos HUB´s de Hidrogênio Verde no Porto de Pecém (CE), no Porto de Suape (PE) e no Porto de Açu (RJ).

Temos um histórico, muito bem-sucedido, de estratégias de Pesquisa & Desenvolvimento para o mercado de Hidrogênio, com mais de 20 anos de pesquisas financiadas por diversos fundos setoriais, cabendo destaque especial ao Programa Brasileiro de Hidrogênio e Sistemas Células a Combustível, lançado no ano de 2002 e o Plano de Ciência, Tecnologia e Inovação para Energias Renováveis e Biocombustíveis 2018-2022, ambos liderados pelo Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI).

Entretanto, a necessidade urgente de promover uma transição energética global voltada para uma economia de baixo carbono estão demandando celeridade na implementação de projetos de Hidrogênio Verde em escala comercial e/ou industrial.

Não é preciso muito esforço para perceber que a agilidade na tomada de decisão é fundamental para definir quais nações terão protagonismo neste novo modelo econômico que está se configurando.

Nossos vizinhos da América do Sul já perceberam isso de deram a largada!

O Ministério de Energia do Chile desenhou claramente a sua estratégia baseada na substituição do hidrogênio fóssil nas refinarias do país e novas aplicações no transporte de longa distância e de carga pesada. O sol do deserto do Atacama e os ventos do Estreito de Magalhães, no extremo sul chileno, serão os responsáveis por gerar a energia renovável necessária à produção de Hidrogênio Verde. A meta chilena é chegar a 25 GW de capacidade de eletrólise até 2030.

Já o Governo da Colômbia, apoiado pelo Banco Inter Americano de Desenvolvimento (BID), definiu como estratégia desenvolver entre 01 GW e 03 GW de capacidade energética a ser utilizada em eletrolisadores de produção Hidrogênio Verde até 2030. O norte colombiano, tem grande potencial fotovoltaico devido à sua proximidade com a linha do equador sem grandes variações de irradiação solar durante o ano.

Em ambos os casos, fica evidente a atuação rápida e ágil do Poder Público como agente “orquestrador” na configuração dos seus Planos Nacionais para o novo mercado de Hidrogênio Verde.

A clareza das estratégias, definindo inclusive as regiões de exploração de energias renováveis bem como metas estabelecidas de capacidade energética para alimentação de eletrolisadores, são sinalizações que trazem muita segurança para os investidores internacionais.

No caso Brasileiro, finalizamos o primeiro semestre de 2023 sem a conclusão Consulta Pública sobre o Plano de Trabalho Trienal do Programa Nacional do Hidrogênio (2023-2025), que está sob a responsabilidade do Ministério de Minas e Energia.

No Senado Federal, foi instalada a Comissão Especial para Debate de Políticas Públicas sobre Hidrogênio Verde, que tem a finalidade de: “Debater, no prazo de dois anos, políticas públicas sobre hidrogênio verde, de modo a fomentar o ganho em escala dessa tecnologia de geração de energia limpa e avaliar políticas públicas que fomentem a tecnologia do hidrogênio verde.”

Já na Câmara Federal, outra comissão, intitulada “Comissão especial debate rotas tecnológicas para a produção do hidrogênio sustentável” trabalha a mesma temática com um plano de trabalho que prevê audiências públicas ao longo de 2023 e 2024.

Três Projetos de Lei, que versam sobre a regulamentação inicial deste novo mercado de Hidrogênio Verde, tramitam no Congresso Nacional e o setor privado aguarda com grande expectativa um movimento concreto do parlamento brasileiro a respeito da aprovação destes marcos regulatórios e o início da vigência destas leis.

Enquanto diversos países do mundo, incluindo nossos vizinhos da américa do sul, já iniciaram suas jornadas nesta nova economia do Hidrogênio Verde, o Brasil parece precisar se um pouco de senso de urgência!

Para não perdermos esta oportunidade, precisamos entender que o Hidrogênio é um vetor tecnológico, com potencial de revolucionar a forma como produzimos e consumimos energia. Para ingressar, de uma vez por todas neste novo “jogo global” faz-se necessária uma visão sistêmica de como funciona o universo das energias renováveis, sendo fundamental inserir o Hidrogênio Verde na agenda dos gestores e agentes públicos do Setor Elétrico Brasileiro.

Ingressar na economia de baixo carbono significa, antes de tudo, estar aberto à novas ideias e conceitos disruptivos. Diante deste cenário, fica evidente que nossas ações de hoje, definirão se atuaremos como Protagonistas ou Coadjuvantes deste novo mercado global de Hidrogênio Verde.

Sobre o colunista

Eng. Frederico Freitas
Eng. Frederico Freitas

Frederico Freitas é Engenheiro Eletricista, Especialista em Gestão de Negócios, Credenciado PMP® pelo Project Management Institute PMI® (USA) e  PM4R® pelo BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento. Co-Founder da INFOREDES – Energy Transition Projects, uma empresa de base tecnológica e suporte consultivo a projetos de transição energética. Trabalha o desenvolvimento de plantas de produção de Hidrogênio Verde, em escala industrial, voltadas para descarbonização do setor industrial brasileiro.
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