O entulho da construção civil transformado em legado verde, espaço esportivo e cultural: Parque Olímpico de Munique, na Alemanha

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Foto: Site CityTourCard München
Foto: Site CityTourCard München

Imagem: Divulgação | Por Simone Horvatin, brasileira, jornalista MTB 0092611/SP e fundadora da plataforma digital Ambiental Mercantil, o canal mais ambiental do Brasil

  • O Parque Olímpico de Munique, Olympiapark, foi construído entre 1968 e 1972 para sediar os Jogos Olímpicos de Verão de 1972.
  • As colinas artificiais são um dos elementos mais marcantes do Parque e oferecem uma vista panorâmica da cidade. No entanto, foram construídas antes da criação do Parque Olímpico, entre 1948 e 1957, utilizando cerca de 7,5 milhões de metros cúbicos de entulho.
  • O 50º aniversário do Parque Olímpico foi em 2022. Desde a sua criação, o parque é composto por diversas instalações esportivas, áreas verdes e espaços de lazer, sempre oferecendo eventos esportivos e de entretenimento à população de Munique.
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Março de 2024 – O Parque Olímpico de Munique, um dos marcos mais emblemáticos da cidade, ostenta uma história que vai além de sua beleza e importância no cenário esportivo. Sua construção, entre 1968 e 1972, incorporou uma prática inovadora e sustentável para a época: a utilização de resíduos da construção civil. Pode-se dizer que muita história está “enterrada” no Parque Olímpico.

Até 1939, o local, conhecido como Oberwiesenfeld, foi em grande parte utilizado como campo de aviação pela elite nacional-socialista. Após a transferência do aeroporto civil para o recém-inaugurado Aeroporto de Munique-Riem em outubro de 1939, o terreno do antigo aeroporto foi utilizado pela Força Aérea Alemã (Luftwaffe) até o final da guerra.

Entre 1945 e 1957, a base aérea foi convertida pela US Army em Airfield R.74, enquanto outra parte do terreno permaneceu sem uso por cerca de dez anos. Nesse período, uma das três montanhas de entulho de Munique foi erguida entre a Schwere-Reiter-Straße, o canal Nymphenburg-Biederstein e a Winzererstraße. Uma situação em que entulhos estavam sendo coletado de várias áreas da cidades da Alemanha, incluindo construções, edifícios de apartamentos e prédios danificados pela guerra. A montanha no Oberwiesenfeld atingiu 56 metros de altura, composta por 10.000.000 de metros cúbicos de entulho.

Em 1967, a implementação seguiu o esboço geral do primeiro vencedor do concurso olímpico para a construção do Parque Olímpico de Munique, o escritório de arquitetura Behnisch & Partner de Stuttgart. Este escritório desenvolveu o conceito geral para as instalações esportivas, a Vila Olímpica e a rede viária das instalações no Oberwiesenfeld.

A planificação verde foi dividida em partes. A responsabilidade pelo paisagismo dos diques ao norte do Mittlerer Ring, da montanha de entulho e da área das instalações esportivas foi atribuída ao arquiteto paisagista Günther Grzimek, enquanto a área da Central de Esportes Universitários (ZHS) e as instalações ao ar livre entre a Vila Olímpica e o Olympiapark foram assumidas pelos arquitetos paisagistas de Stuttgart, Wolfgang Miller e Hans Lutz.

Na primavera de 1968, teve início a terraplanagem para a construção do Olympiapark, movendo inicialmente 2,2 milhões de metros cúbicos de material. Os trabalhos progrediram rapidamente, mantendo os custos dentro do esperado para a construção. No entanto, à medida que a expansão avançava, tornava-se claro que os trabalhos não poderiam ser realizados conforme o planejado, devido às complexidades técnicas e econômicas envolvidas. Além disso, as atividades de terraplanagem foram afetadas por uma operação em grande escala de remoção de munições não detonadas da Segunda Guerra Mundial. Durante esse período, também iniciou-se o plantio de árvores de grande porte, contribuindo para a transformação do local.

Para os Jogos Olímpicos de 1972, a linha de metrô U3 teve sua construção acelerada para servir como principal meio de transporte dos visitantes da Estação Central de Munique (Hauptbahnhof) até o Centro Olímpico (Olympiapark). O material escavado dessa obra foi utilizado para aterrar áreas do Centro Olímpico. Até 1970, as principais terraplanagens foram concluídas.

Foto: Martin Falbisoner – Autor

A montagem do telhado do Estádio Olímpico começou em 1971 e foi finalizada a tempo, beneficiada pelo clima ameno. A impressionante estrutura tensionada que cobre grande parte do parque foi projetada pelo arquiteto e engenheiro alemão Frei Otto, em colaboração com Behnisch & Partner.

No Parque Olímpico, foram plantadas 3.100 árvores de grande porte até 1972, além da preparação de extensas áreas verdes. Os custos totais alcançaram 1,35 bilhão de marcos alemães.

Colina Olímpica: um projeto inovador e hoje atração turística

A Colina Olímpica de Munique é uma atração ao visitar o Parque Olímpico. Ela foi construída entre 1948 e 1957 utilizando cerca de 7,5 milhões de metros cúbicos de entulho. Esse material foi proveniente de entulhos gerados pela Segunda Guerra Mundial, da demolição de um antigo bairro e da escavação do metrô da cidade. A iniciativa visionária de utilizar os escombros para construir as colinas artificiais contribuiu para a promover o meio ambiente, gerando um terreno único e paisagístico para uso público.

As colinas artificiais do Parque Olímpico de Munique são um exemplo de como a engenharia e a arquitetura podem ser utilizadas para criar espaços verdes e paisagens atraentes. A construção da Colina Olímpica foi um projeto inovador para a época e representou uma solução criativa para o problema.

Foto: Site Olympiapark München

A utilização de resíduos da construção civil (entulhos) foi fundamental para a sustentabilidade do Parque Olímpico de Munique, sendo um marco na história da construção civil e da sustentabilidade urbana.

Detalhes técnicos:

  • Tipos de Resíduos: O tipo de resíduo utilizado variou desde tijolos e concreto até madeira e metal. Para garantir a segurança e estabilidade das colinas, os materiais foram cuidadosamente selecionados, compactados e monitorados durante todo o processo de construção. A utilização de entulho como material de construção reduziu a necessidade de extrair e transportar materiais virgens, como pedras e areia. Isso contribuiu para a preservação dos recursos naturais e para a redução da pegada ambiental do parque.
  • Impacto ambiental: A reutilização de resíduos evitou o descarte em aterros sanitários, reduzindo significativamente o impacto ambiental da obra. Além disso, a criação das colinas contribuiu para a drenagem natural da área e a criação de microclimas mais amenos.
  • Microclima e Regulação natural de temperatura: As colinas artificiais e as árvores do parque contribuem para a criação de um microclima mais ameno, com temperaturas mais baixas no verão e mais altas no inverno. Isso reduz a necessidade de utilizar sistemas de climatização artificial no parque. A compactação do entulho para formar as colinas artificiais criou uma massa térmica que ajuda a regular a temperatura do parque. Isso significa que o parque precisa de menos energia para aquecimento e arrefecimento.
  • Armazenamento de águas de chuva: As colinas artificiais foram projetadas para captar e armazenar água da chuva. Essa água é então utilizada para irrigar as plantas do parque, reduzindo o consumo de água potável.
  • Biodiversidade: As colinas artificiais e a vegetação do parque criaram um habitat para diversas espécies de plantas e animais, contribuindo para a biodiversidade local.
  • Energia 100% limpa e renovável: no ano de 2016, a eletricidade gerada e consumida é 100% verde.
  • Reconhecimento internacional: O Parque Olímpico de Munique recebeu diversos prêmios por sua arquitetura inovadora e práticas sustentáveis, tornando-se um modelo de referência para projetos semelhantes em todo o mundo.

O Parque Olímpico de Munique é mais do que um local de eventos esportivos e culturais. É um símbolo da capacidade humana de transformar desafios em oportunidades, de criar beleza a partir de materiais descartados e de construir um futuro mais sustentável para as próximas gerações.

Divulgação | Tripadvisor
Divulgação | Expedia

Hoje, a Colina Olímpica é uma parte obrigatória da visita ao parque para muitas pessoas. A vista do cume é deslumbrante e oferece uma perspectiva única da cidade e das montanhas. A experiência ao nascer e ao pôr do sol é especialmente atmosférica e romântica.

Jogos Olímpicos de 1972 e o Estádio Olímpico de Munique

Foto: Estádio Olímpico, construído para as Olimpíadas de 1972 na cidade de Munique, Alemanha

O Estádio Olímpico de Munique, construído para os jogos, é um marco importante que continua sendo utilizado para eventos esportivos e culturais. Com capacidade para 80.000 espectadores e um sistema de iluminação moderno, o estádio é palco de shows de renome internacional e nacional.

Os Jogos Olímpicos de 1972, realizados em Munique, foram marcados por um trágico evento que teve repercussões globais. Durante os jogos, um ataque terrorista contra atletas israelenses no alojamento da delegação no Parque Olímpico resultou em uma interrupção de 34 horas nas competições. Apesar da retomada dos jogos, a decisão do presidente do comitê olímpico gerou opiniões divergentes. O filme “Munique” (2005), dirigido por Steven Spielberg, é a obra cinematográfica mais conhecida que retrata o ataque terrorista nos Jogos Olímpicos de 1972.

No verão é possível “escalar” o telhado do Estádio de Munique, uma viagem panorâmica acima do Estádio Olímpico de Munique. É possível desfrutar de uma vista deslumbrante da cidade, e até mesmo, em dias de céu limpo, ver os picos dos Alpes no horizonte distante. Ao mesmo tempo, contemplar o histórico gramado do estádio. Esta excursão oferece uma oportunidade única para explorar a arquitetura única do local e reviver momentos marcantes das décadas passadas. O passeio é guiado. Site oficial: https://www.olympiapark.de/en/tours-sightseeing/guided-tours/roof-climb

Vegetação típica

O tília (em alemão Linden) é uma árvore clássica de Munique, presente em diversos locais da cidade, inclusive no Parque Olímpico. Na época da construção do parque, a tília foi escolhida por sua beleza e por ser uma espécie nativa da região.

No entanto, as tílias do Parque Olímpico de Munique enfrentam um problema: a infestação de pulgões, também conhecidos como cochonilhas. Esses insetos sugadores se alimentam da seiva da árvore e excretam um líquido açucarado chamado melado. Em junho, quando a infestação é mais intensa, o melado goteja das árvores, causando transtornos para os visitantes do parque. O líquido pegajoso cai nos carros, calçadas e bancos, tornando-os pegajosos e sujos. Soluções possíveis é o Controle da infestação de pulgões e a Proteção contra o melado. Embora a beleza das tílias seja apreciada por muitos, o melado das cochonilhas é um inconveniente que precisa ser considerado.

Por outro lado, os apicultores apreciam o melado e as flores ricas em pólen da tília. Essas fontes de alimento tornam a tília uma das árvores mais importantes para as abelhas e outros insetos na cidade.

Foto: Laura Kuen | Site environmentandsociety.org

Ao contrário das abelhas e dos apicultores, para os planejadores urbanos, a importância das árvores urbanas é baseada nos serviços específicos do ecossistema que realizam: elas devem crescer uniformemente e suas raízes não devem atingir profundidade excessiva. Elas também devem ser resistentes à urina de cães e ao sal de estrada e, diante das mudanças climáticas, também ao calor e períodos de seca.

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