Hidrogênio Verde e Mercado de Carbono #1: “Descarbonizar a economia global e evitar tragédias climáticas: o hidrogênio verde é o caminho para transformação!”

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Frederico Freitas é Engenheiro Eletricista, PMP® PMI® (USA) e PM4R® pelo BID, e escreve periodicamente como colunista para o canal AMBIENTAL MERCANTIL.
Frederico Freitas é Engenheiro Eletricista, PMP® PMI® (USA) e PM4R® pelo BID, e escreve periodicamente como colunista para o canal AMBIENTAL MERCANTIL.

Imagem: Divulgação #Imagem: Divulgação | Por Frederico Freitas é Engenheiro Eletricista e Co-fundador da INFOREDES Energy Transition Projects. Colabora periodicamente com artigos na coluna, para AMBIENTAL MERCANTIL NOTÍCIAS

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Fevereiro de 2023 – No Brasil, o carnaval de 2023 ficou definitivamente marcado pela tragédia das fortes tempestades no litoral norte do estado de São Paulo ! Dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais – CEMADEN registraram o maior acumulado de chuva que se tem registro no país até então (682 milímetros), deixando um rastro de mortes, destruição e danos incalculáveis em uma região paradisíaca onde a diversidade da nossa mata atlântica encontra-se com a imensidão azul do oceano. Até então os registros mais intensos tinham sido registrados em Petrópolis-RJ (530 mm ) no ano de 2022 e em Florianópolis-SC (400 mm) no ano de 1991.

Se buscarmos outras tragédias recentes, em diferentes regiões do planeta, vamos perceber uma escalada na intensidade, na gravidade e no poder de destruição destas catástrofes naturais.

Tudo isto é uma evidência inequívoca de que a ação humana tem alterado drasticamente, e de forma quase que irreparável, os ciclos climáticos ao redor do globo terrestre, colocando em risco a manutenção de padrões mínimos para manutenção da vida neste planeta.

Desde a primeira Conferência Mundial sobre o Clima, no ano de 1972 em Estocolmo, a Organização das Nações Unidas, juntamente com a comunidade acadêmica tem apresentado estudos científicos e promovido debates técnicos com a participação de lideranças globais e diferentes setores econômicos objetivando sensibilizar os povos e nações sobre o grande risco que tudo isto representa.

A questão central deste debate é encontrar um ponto de equilíbrio entre o desenvolvimento econômico e a manutenção do meio ambiente. A busca por esta convergência foi determinante para cunhar o conceito de Desenvolvimento Sustentável, termo utilizado pela primeira vez no Relatório Brundtland.

Este relatório, elaborado em 1987, sob a coordenação da então Primeira-Ministra da Noruega, Gro Harlem Brundtland, e com o patrocínio da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento da ONU, definiu assim o termo:

“O desenvolvimento sustentável é o desenvolvimento que encontra as necessidades atuais sem comprometer a habilidade das futuras gerações de atender suas próprias necessidades.”

Ao longo de décadas os combustíveis fósseis, sustentaram o processo de industrialização mundial e foram os maiores responsáveis pelas emissões de CO2 e outros Gases de Efeito Estufa (GEE). É impossível imaginar a vida moderna sem este recurso energético.

O custo de todo este desenvolvimento industrial, significou até os dias de hoje, um aumento de 31% nas concentrações de CO2 na atmosfera terrestre desde a Revolução Industrial iniciada na segunda metade do século XVIII.

Recentes relatórios de avaliação do painel intergovernamental sobre mudanças climáticas ( IPCC – Intergovernmental Panel on Climate Change ), apontam que até 2100 os níveis de CO2 na atmosfera terrestre chegarão ao dobro dos parâmetros anteriores à Revolução Industrial, resultando em um aumento na temperatura do globo terrestre entre 1,5°C e 2,8°C seguida de catástrofes ambientais imensuráveis.

A certeza que temos, é de que o caminho para conter um desastre anunciado é a descarbonização da economia global, reduzindo a dependência econômica de combustíveis fósseis e adotando padrões de consumo sustentáveis.

Mas afinal, onde o Hidrogênio Verde entra nesta história?

Nos anos de 1970, após a primeira grande crise mundial do Petróleo, as atenções se voltaram para o Hidrogênio como uma solução energética possível. Como vetor energético apresenta diversas vantagens: é abundante na natureza, não é tóxico para o meio ambiente e pode ser armazenado e transportado por distâncias continentais.

O Processo tradicional de produção de Hidrogênio, utiliza como matéria prima o Gás Natural e resulta na emissão de CO2. Este Hidrogênio é utilizado em processos industriais muito específicos como, por exemplo, a produção de fertilizantes e o refino de petróleo.

Entretanto, os recentes avanços tecnológicos no campo das energias renováveis, estão viabilizando, do ponto de vista econômico, a produção de Hidrogênio utilizando eletrolisadores alimentados por sistemas elétricos fotovoltaicos e eólicos além de outras rotas tecnológicas de baixo carbono.

É assim que surge o HIDROGÊNIO VERDE, aquele produzido através de energias renováveis com baixíssimas emissões de CO2 e com um potencial energético superior aos combustíveis fósseis.

A exponencial evolução tecnológica tanto no campo das energias renováveis, como no desenvolvimento de eletrolisadores levarão, até 2030, a uma redução nos custos de produção de HIDROGÊNIO VERDE, a patamares mais baixos do que o custo de produção do hidrogênio “cinza”, aquele que utiliza gás natural como matéria prima e resulta na emissão de CO2.

Considerando as metas estabelecidas no Acordo de Paris, em 2015, onde será necessário cortar em 60% as emissões globais de CO2 até 2050, fica claro que o HIDROGÊNIO VERDE é o vetor energético capaz de conduzir a economia global à sua rápida descarbonização, a começar por setores industriais energeticamente intensivos como a mineração, siderurgia, transportes aéreo, rodoviário, ferroviário, naval, indústria química e a produção de fertilizantes.

De forma prática, o HIDROGÊNIO VERDE é o fiador do nosso Desenvolvimento Sustentável, pois ao mesmo tempo que garante as necessidades atuais (desenvolvimento econômico global) é capaz de preservar as necessidades das gerações futuras (um planeta limpo de gases de efeito estufa e livre de extremos climáticos).

Que a indústria do HIDROGÊNIO VERDE acelere seu desenvolvimento global e coloque a nossa sociedade na direção de uma Economia de Baixo Carbono!

Sobre o Colunista

Eng. Frederico Freitas

Frederico Freitas é Engenheiro Eletricista, Especialista em Gestão de Negócios, Credenciado PMP® pelo Project Management Institute PMI® (USA) e  PM4R® pelo BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento. Co-Founder da INFOREDES – Energy Transition Projects, uma empresa de base tecnológica e suporte consultivo a projetos de transição energética. Trabalha o desenvolvimento de plantas de produção de Hidrogênio Verde, em escala industrial, voltadas para descarbonização do setor industrial brasileiro.
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