Startup paulista lança Aedes estéreis por drones para combater a dengue

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Foto: Birdview - Solução desenvolvida por empresa apoiada pelo PIPE-FAPESP está em processo de validação pela Agência Internacional de Energia Atômica, da ONU.
Foto: Birdview - Solução desenvolvida por empresa apoiada pelo PIPE-FAPESP está em processo de validação pela Agência Internacional de Energia Atômica, da ONU.

Imagem: Divulgação | Por Elton Alisson, Comunicação FAPESP Pesquisa para Inovação

PRÊMIO INTERNACIONAL 2023

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Fevereiro de 2024 – Uma tecnologia voltada inicialmente à aplicação de biodefensivos por drones para o controle biológico de pragas agrícolas pode ser útil no ambiente urbano para ajudar a frear a proliferação de mosquitos transmissores de vírus causadores de doenças, como o Aedes aegypti.

Desenvolvida pela empresa Birdview, situada em São Manuel, no interior paulista, em parceria com a Embrapa Instrumentação e apoio do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), da FAPESP, a solução foi testada e está em processo de validação pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

O órgão de controle nuclear da Organização das Nações Unidas (ONU) desenvolveu um método de esterilização de mosquitos por irradiação e coordena um programa de cooperação técnica com países interessados em utilizar a tecnologia.

“Realizamos testes para validação da tecnologia pela Agência Internacional de Energia Atômica com o Aedes e a glossina [conhecida popularmente como mosca tsé-tsé], que é responsável pela transmissão da doença do sono. Os resultados preliminares são muito animadores”, diz Ricardo Machado, cofundador da empresa.

O teste para validação da tecnologia no combate ao Aedes em parceria com a AIEA foi realizado em 2002 em Seibersdorf, na Áustria, onde está localizado o laboratório da técnica desenvolvida pelo órgão para o controle de pragas. No mesmo ano, a empresa realizou outros testes no Paraná e em Pernambuco.

“Também realizamos um teste na Flórida em parceria com um órgão responsável pelo controle de arboviroses naquele estado norte-americano”, afirma Machado.

Tecnologia mais eficiente

A tecnologia desenvolvida pela empresa no âmbito do Programa BIOTA-FAPESP consiste em um sistema modular de liberação e embalagem, integrado a drones, que efetua a soltura controlada de insetos adultos em regiões demarcadas, minimizando danos e estresses que podem causar a morte dos insetos, mudanças nas características de voo e na capacidade de reprodução.

No campo, a tecnologia permite liberar, sobre as lavouras, insetos para combater pragas agrícolas que são seus inimigos naturais. Já em áreas urbanas, a solução pode ser empregada para soltar Aedes aegypti machos e estéreis para se acasalar com fêmeas selvagens – que picam e transmitem vírus causadores de doenças e copulam uma vez na vida. Como as fêmeas consequentemente não produzirão descendentes, a população de insetos tende a diminuir ao longo do tempo até a sua erradicação, estimam especialistas.

O método tem sido usado há décadas para controlar pragas agrícolas, como a mosca-da-fruta do Mediterrâneo, a falsa mariposa, a bicheira do Novo Mundo e a mosca tsé-tsé.

“O lançamento por drones de mosquitos estéreis produzidos por meio dessa técnica é mais eficiente do que a realizada pelo método terrestre tradicional, em que os machos estéreis, armazenados em tambores, são soltos semanalmente em carros abertos”, afirma Machado.

Um drone pequeno tem capacidade de fazer a soltura de 17 mil insetos por voo, que tem duração de 10 minutos e cobre uma área de 100 mil metros quadrados. Dessa forma, é possível lançar quase 300 mil insetos por dia, explica o engenheiro.

“Outra limitação da soltura de mosquitos estéreis pelo método terrestre é que fica restrita às vias públicas, não atingindo focos do inseto. Os drones permitem a liberação de forma homogênea e com baixo estresse induzido no inseto”, compara Machado.

Segundo ele, o método de soltura aérea de Aedes aegypti estéril possibilita reduzir 90% da população e novos casos da doença entre três e quatro semanas. No caso da soltura terrestre, esses índices são atingidos entre três e quatro meses.

“A soltura por drones é muito mais rápida, possibilita lançar maiores quantidades de insetos e de forma mais homogênea. Isso se reflete em mais locais tratados”, avalia.

De acordo com Machado, os drones têm baixo custo e fácil operação. Além disso, foram projetados para realizar o lançamento dos insetos nas cidades de forma descentralizada, de acordo com as estratégias de vigilância adotadas pelos agentes de saúde locais.

“A solução também pode ser utilizada para lançar sementes visando a restauração de florestas e os Wolbitos produzidos pela Fiocruz em parceria com o Ministério da Saúde”, afirma Machado.

Como referência, Machado cita um programa recém-anunciado pelas duas instituições que pretende expandir o acesso no Brasil aos mosquitos com Wolbachia.

Já introduzida em 12 países, a tecnologia consiste em introduzir nos mosquitos uma bactéria – chamada Wolbachia – que os impede de transmitir a dengue e outros vírus transmitidos pelo Aedes aegypti.

PIPE Empreendedor

A empresa Birdview foi uma das participantes da 25ª edição do Programa de Treinamento em Empreendedorismo de Alta Tecnologia (PIPE Empreendedor). Os resultados da validação tecnológica e de negócios obtidos durante as 12 semanas de duração da capacitação tecnológica atingidos por ela e outras 20 empresas participantes foram apresentados em evento realizado em dezembro na FAPESP.

Um dos principais objetivos do PIPE Empreendedor é estimular a aproximação da universidade com o mercado. Para isso, na avaliação de Cátia Favale, coordenadora do programa, é imprescindível que as startups participantes validem o projeto com uma modelagem atraente para o mercado.

“Queremos transformar esforços em negócios em que todos possam ganhar com a maior arrecadação de impostos, geração de trabalho, renda e mais desenvolvimento econômico e social”, disse.

“Hoje, o PIPE Empreendedor é considerado um dos principais programas de capacitação para geração de negócios em São Paulo, pela formação dos seus coordenadores, acompanhamento das mentorias, abordagem e metodologia”, sublinhou Anapatrícia Morales Vilha, membro da Coordenação Adjunta de Pesquisa para Inovação da FAPESP.

Mais sobre o apoio da FAPESP à pesquisa para inovação

Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE)
Programa de Apoio à Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica (PITE)
Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs)

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